segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Minha lembrança sobre o Metallica

Este texto é só para um amigão meu parar de encher o saco. Como todos devem saber, no próximo dia 28 o Metallica, uma das bandas de rock mais autênticas da história da música, vai tocar aqui no estado, lá em Porto Alegre. O Metallica é responsável por algumas pérolas musicais como “Nothing else matters”, “Enter Sandman” e “The Unforgiven” (essa última em três diferentes versões). Essas músicas são obrigatórias para quem aprecia o bom e velho rock and roll.


Mas como eu não tenho muito assunto sobre o Metallica e ainda não previ no meu orçamento recursos para assistir esse megashow em Porto, vou me ater a relatar o que me lembro quando escuto a banda tocar. A primeira memória que me vem ao pensamento é dos verões passados lá no Irapuá e meu rádio tocando a todo o volume a canção “Whiskey in the jar”, no meio de uma baita festa na minha casa. Lembro da galera entornando várias garrafas de cerveja e de muita diversão e do meu coroa vivo, mandando desligar o rádio porque queria dormir.



O meu pai não curtia Metallica, ele gostava de Altemar Dutra, Julio Iglesias e Roberto Carlos. É normal nossos coroas não curtirem as mesmas músicas que nós, assim como nossos filhos não vão apreciar as mesmas bandas que hoje nós idolatramos. Eu só espero que eles não gostem de pagode... Mas outra lembrança que tenho do Metallica é no meio de um jogo de bocha também lá no Irapuá, tocava a mesma música (é, eu gosto dela um monte) e eu estava muito a fim de uma menina (é, sempre tem uma menina).



E eu naquelas de querer agradar, comecei a falar de músicas e tal, ela sorria. Eu tentava ser engraçado e ela ia se entregando. Mas aí, no meio da música, ela soltou algo do tipo: “ai, tu não tem aí um CD de pagode?”. Aquilo não caiu bem e aquele rostinho bonito dela logo começou a parecer cheio de defeitos... A solução foi terminar a noite com o pessoal na pracinha do balneário, bebendo algo que tinha vodka, champanhe, morango e leite condensado com pedaços de abacaxi. Foi literalmente um porre. Sinto muito, cara. É só dessas coisas que lembro quando ouço Metallica.

domingo, 29 de novembro de 2009

Pílulas de felicidade

A felicidade não é uma constante na vida de ninguém. Mas nem por isso ela não deve ser almejada, perseguida, ela precisa ser conquistada todos os dias para que eles tenham graça. A felicidade precisa ser dosada e há inúmeras formas de temperar a vida com um pouco dela. Muitas pessoas reclamam da vida por causa de seu trabalho, quando ele deveria ser um dos motivos para saltar e gritar loucamente e expressar um sorriso enorme numa tarde chuvosa.

Talvez isso seja um exagero, mas aposto que as pessoas mais felizes do mundo amam seus trabalhos. O trabalho consome a maior parte da rotina de todos, portanto é extremamente importante que mesmo cansativo ele seja prazeroso.

De qualquer forma, para curar a tristeza ou amenizar os seus efeitos basta tomar diariamente algumas pílulas de felicidade.

E como fazer isso? Simples, basta encontrar algo que te faça sorrir, algo que te faça esquecer tudo e viajar no pensamento, voar para fora dos problemas e das notícias ruins. Pode ser ouvir música, assistir a um filme ou ir a uma festa. Você pode ler um livro, ir a um jogo de futebol, visitar familiares... Tomando uma pílula de felicidade todos os dias, você não se preocupa com o sentido da vida ou com o que precisa fazer amanhã. Compre uma pílula de felicidade, elas são grátis, basta você procurar.

Entre todas essas formas de dosar a felicidade em nossas vidas, nenhuma tem efeito mais intenso, duradouro e verdadeiro que o amor. Sim, o bom e velho amor. Amar é dar uma injeção cavalar de felicidade no sangue, é mais forte que qualquer droga já inventada para alterar seu humor e te deixar nas nuvens, excitado e rindo sem encontrar uma explicação racional.

Simplesmente porque o amor foge de todas as explicações e provoca sensações indescritíveis. Então, vá lá procurar a sua pílula da felicidade, ame, ouça música, jogue bola, veja um filme, mas não fique aí parado lamentando a sua má sorte.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Como chegar ao coração delas

Mais uma vez, vou tentar passar os meus conhecimentos de 25 anos de estrada pra essa gurizada perdida dando uns segredos de como chegar ao coraçãozinha das meninas. Portanto, malandrinhos, se a intenção é fazer as meninas abrirem as pernas, saiam fora e voltem pra banca pra comprar uma Playboy.


Normalmente, o truque mais perfeito é não usar truque nenhum e ser sincero, mas nem todas elas curtem isso. Vai por mim. Mulher gosta de ser ignorada, então se você acabar dando muita moral, elas vão acabar te esnobando. Tudo depende do tipo de mulher que você tá querendo e pra que você tá querendo...



Se é só uma diversãozinha com uma gostosa que você quer, veio ao lugar errado. Este escritor recusa-se a ensinar você a tirar dinheiro do bolso pra agradar um baita corpo sem nenhum cérebro. Portanto, se é diversão o que tu procura, sai fora. Ah, não?! Então, voltando ao que interessa. Elas não sabem, mas tudo que nós fazemos é pra agradá-las, para fazermos com que elas vivam sonhos reais.



O jeito mais fácil de chegar ao coraçãozinho delas que dificilmente falha é as fazendo sorrir, arrancar aquelas covinhas pequenas mostrando os dentes é o primeiro passo. Mas isso não quer dizer que tu vai passar a agir como um palhaço. Seja sutil, elogie, tente perceber uma qualidade só dela e exalte-a, destaque, conte como aquele olhar mexeu contigo. Tente ser sincero, tente deixar o machismo de lado um pouco. Não custa nada ser sensível quando o amor da tua vida pode estar em jogo.



Outra boa forma de chegar rápido ao coração delas é sendo atencioso, educado, prestativo e acima de tudo carinhoso, mas na medida certa. Quando o carinho é demais elas desconfiam... E com razão, tu não precisa agir feito uma moça. Aliás, depois que perceber que o caminho ta bem trilhado, seja mais homem, chega de jeito, puxa com firmeza, olha fixo pra ela e tasca aquele beijão. Nada de ficar mexendo a língua que nem louco, continua com calma, passa a mão no cabelo dela, respira devagar olhando pra boquinha dela...



Acima de tudo, nunca esqueça de olhar pra ela com a verdade no coração. Mulher gosta de ser amada e de se sentir amada, olha pra ela, deixe que ela veja o quanto você gosta dela, deixe que ela sinta que você está realmente interessado nela. Perca seu tempo vislumbrando o sorriso dela, perca seu tempo e depois ame. Depois ame...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pobres velhinhos

Quando será que os governantes vão ter vergonha na cara de dar aumento pros aposentados?



Tudo bem que os aposentados estejam mais perto da morte que as outras classes e talvez esse seja um dos motivos para os nossos políticos atrasarem o seu reajuste. Estou longe da aposentadoria e não possuo cargo eletivo (acho que até quero, mas não vou começar a campanha ainda. Alguém vota em mim aí?), mas essas coisas normalmente passam longe da compreensão popular. Então, por que não popularizar o problema?


Pois é exatamente isso que pretendo. Pobres velhinhos, depois de trabalharem por mais de 20, 30 anos, pagando altos impostos e carros de luxo e mansões para os políticos, sequer podem usufruir uma aposentadoria digna. É triste, realmente, triste. Não entendo absolutamente nada sobre a política previdenciária e portanto não tenho conhecimento técnico para fazer grandes análises.


Mas o lance é que parece tão fácil conceder aumento para o bolso de deputados, senadores, ministros e outros lacaios do poder do que para cidadãos comuns que trabalharam e ajudaram diretamente no desenvolvimento da economia do país. Sim, isso é falta total de preocupação social. Ou seja, eu sou o patrão e fico com todo o lucro. Tu, que és empregado, vai reclamar com a Justiça.


É assim que funciona na grande maioria das mentes capitalistas do mundo moderno, que escraviza trabalhadores e quando eles finalmente conseguem descansar, recebem uma miséria. E o que sobra para alguns aposentados é a solidão, abandono da família e uma existência sem nenhum propósito dentro de um asilo ou casa de repouso (outra máfia da sociedade moderna).


Agora é esperar, porque estamos em véspera de ano eleitoral e normalmente nessas épocas coisas surpreendentemente boas acabam acontecendo e todo mundo fica menos triste. Aliás, tem muita gente que enche o bolso em período eleitoral, mas isso é assunto para o próximo programa, pessoal. E não esqueça o nome daquele sem vergonha em quem você votou na última eleição pra não fazer a mesma bobagem de novo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Roupinhas de ginástica

Não faço parte desse grupo de caras que admira mulher de vestido, com quilos de maquiagem, cremes e acessórios que mais as fazem parecer um balcão de amostra. Na verdade, quando uma mulher se enche de cremes, parece que o cara vai abraçar ela e a mulher escorrega pra fora da cama. Eu curto a simplicidade, traços sutis, detalhes que não precisam ser realçados com nenhum truquezinho de moda ou essas cirurgias malucas que têm por aí.

Ultimamente não inventaram nada mais interessante, sedutor e enganador do que essas roupinhas de ginástica que elas usam nas tardes ensolaradas pelas ruas centrais da cidade. Aquele desfile pra baixar meio quilo de gordura que sinceramente não sei onde elas enxergam é de mexer com o vivente.

Alguém já notou como aquelas calças coladinhas desenham os bumbuns de forma perfeita? Umas ficam durinhas, rebolativas, parece até uma sinfonia moderna. É uma imagem dos deuses. Ainda mais para a maioria dos homens, ou pelo menos uma boa parte deles, que enxerga as mulheres como se estivessem em um açougue. É algo como 10 quilos de coxa, um pedaço de maminha... Parece machista, não? É um lance cultural, tanto que em cada país existe uma preferência diferente.

Mas voltando às roupinhas de ginástica, que coisa mais linda, mais perfeita, que descoberta genial. Quem inventou essas calças justinhas merece um prêmio, merece uma data comemorativa.

É por causa dessas roupinhas de ginástica que alguns caras resolvem passear pelo centro da cidade depois de um expediente e parar em um barzinho para ver esses desfiles incríveis ao pôr-do-sol. Aliás, nada melhor que um barzinho, uma cerveja e algumas meninas desfilando com aquelas calças coladinhas, provocando sonhos e tensão nos marmanjos e comentários de todos os tipos. Viva as roupinhas de ginástica.

domingo, 22 de novembro de 2009

Consequência

Romântico, Cadu enviou um buquê de rosas com um cartãozinho escrito à mão, palavras sutis e carinhosas. Ele queria demonstrar suas intenções, que haviam ficado obscuras no primeiro encontro sob o flash incessante de luzes e o barulho da boate. O beijo, misturado com o sabor da cerveja, de certa forma apagava o romantismo que desejava colocar em prática com Maria Eduarda. Enviar rosas é uma senha, uma declaração explícita de interesse. As rosas também são muito usadas apenas para as terceiras intenções e funcionam muito bem, se combinadas com um destilado.

Cadu não pensava (ainda) no sexo. Transar era uma consequência, não uma necessidade, não um esporte, muito menos uma diversão casual. Transar seria a sobremesa, o chocolate depois do churrasco, a cereja do bolo. Normalmente, quando apaixonado, Cadu não se importava tanto com o sexo, e por isso ficou triste quando ela enviou uma mensagem desaforada dizendo que “o truque das flores está fora de moda”. Ligeiro, ele enviou um torpedo de volta, afirmando que “amar jamais sai de moda”. Recebeu um toque de volta, nenhuma resposta. Não ficou na dúvida, afinal, quem cala consente.

À noite, antes da festa, fez questão de abrir a porta do carro para que Maria Eduarda o acompanhasse. “Por que todo esse romantismo?”, questionava a garota. Tudo aquilo estava preso no passado, as mulheres se acostumaram com a grosseria e ultimamente pareciam preferir o descaso. “Olha, Duda, eu só estou sendo verdadeiro porque o que sinto é real...”. Cadu não pronunciou mais nada, ligou o carro e arrancou, constrangido. Embora apaixonado, não queria admitir. Apesar de sentir o amor, não queria o libertar assim.

Na boate, abriu a porta e segurou a pequena mão de Duda para acompanhar a garota. Algumas danças, alguns beijos e alguns olhares e a noite seguia tão perfeita que parecia desenhada. A jovem pensava em um final perfeito, pensava fazer amor com Cadu abraçando-o com vigor e pronunciando palavras carinhosas. Fim de noite, Maria Eduarda pede para ir embora e é levada para a casa de Cadu, onde recebe mais beijos. Iriam dormir juntos pela primeira vez, poderia ser o desfecho de uma noite perfeita. Deitados, olhando um para o outro, Duda aos poucos fechava os olhos e ia se entregando. “Me ama”, ela pede, olhando fixamente para Cadu. E o amor se torna apenas uma consequência.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Beijos aos pedaços

E parecia que a música conduzia os olhares, fixos um no outro, enquanto as bocas se tocavam levemente, provocando a paixão aprisionada que vinha a tona para se libertar efusivamente.


E parecia que tudo havia sido coreografado pela perfeição dos movimentos de carinho no rosto, nos cabelos, pelo corpo, sentindo um pouquinho do gosto... E parecia sonho desde o primeiro abraço que deveria ser somente um abraço e se tornou um amasso, a paixão envolvendo os braços, se perdendo entre beijos aos pedaços.



E não era sonho, era a paixão revelada com o mais natural exemplo do amor, uma série de beijos apaixonados e inconseqüentes e deliciosos. E faltava ar, faltavam e sobravam palavras que nem sequer precisavam ser pronunciadas. E só existia o silêncio e a verdade mais absoluta da vida, a verdade que impera no olhar apaixonado...



E nada precisava fazer sentido, não havia necessidade de se declarar, não havia motivos para inventar, eram só eles e seus beijos aos pedaços naquela noite. E a noite não acabava mesmo depois da despedida, ela seguia repetidamente no pensamento, perfeita, intacta como um diamante recém descoberto. E a noite não teria mais fim, e o amor não teria mais explicação nenhuma que fosse melhor que este texto.



E nenhuma exigência seria feita e a perfeição já não existia mais e a vida já não era mais uma passagem, ela passava a ter o seu mais natural significado. E viver já não seria mais um martírio pela certeza de que a felicidade está nos pequenos beijos aos pedaços, nos fragmentos de felicidade que o destino não coloca na vida das pessoas, mas sim naquilo que as pessoas fazem para serem felizes.