sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Faça alguém sorrir

Eu sei bem que esse negócio de escrever texto de auto-ajuda é coisa de americano que adora aquelas baboseiras tipo faça você mesmo e comem bacon com ovo logo de manhã, mas mesmo assim resolvi arriscar umas dicas aqui. Você sabe como espalhar a felicidade para as pessoas que convivem contigo? Ou está sempre de cara com o mundo e não se importa se vai mudar um pouco a vida de alguém? Independente de sua resposta, aqui vai uma dica bem simples pra você colocar em prática sempre que estiver perto dos seus: faça alguém sorrir. Não há nada mais interessante do que conseguir arrancar um sorriso de um amigo, do seu pai, do chefe ou do colega. Sabe por que? Ora, ele pode estar tendo um dia péssimo, pode ter sido largado pela namorada, ou perdido uma promoção no trabalho, imagina. E aí você arrancou um sorriso daquele rosto decepcionado e tornou aquele dia, ou pelo menos aquele momento, menos amargo. Mas não espere uma recompensa por isso, por fazer alguém rir. Ela nem vai agradecer, dependendo de quem for. Talvez mais tarde, pare e pense no que aconteceu e reconheça em sigilo a importância que você teve naquele momento melancólico. E aí, você terá espalhado felicidade.

Parece simples não? Mas na verdade não é. Até mesmo os atores dizem que é mais fácil fazer chorar do que fazer rir. Isso não quer dizer que você precisa sair por aí fazendo piadinhas idiotas, nada disso. Mas procure ser espirituoso e espontâneo. Vai acabar sendo engraçado fazendo isso. E arrancará um sorriso. E aposto, vai se sentir bem consigo mesmo fazendo isso. Então, vai lá e coloca esses toques em prática e torne a vida das pessoas um pouco mais feliz.

Agora, um trechinho da sabedoria cantada pelo velho Lulu Santos, só porque eu acredito que a música é uma das coisas que mais podem nos fazer rir: “Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer, o que eu ganho e o que eu perco, ninguém precisa saber”...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Me chamando de amor

Quando eu era guri e não conhecia direito como essas coisas de sentimento funcionavam, costumava me apaixonar por uma menina a cada semana. Não pensava sobre isso, mas sempre sonhei em ser chamado de amor desde a infância, e de receber um pouco de carinho. No fundo, acho que a maioria de nós deseja isso, e não apenas dinheiro, status, um carrão na garagem e conforto numa grande casa com piscina e outras mordomias. Então, eu lembro que com o passar dos anos e novos amores, costumava sonhar com alguém me chamando de amor.

Não sei nada sobre os sonhos, nem acho que existam pesquisas sérias sobre isso, mas eles são absolutamente interessantes porque ganham de novelas e filmes, por mais premiados que sejam. Você já notou como nos sonhos tudo é perfeitamente desenhado? Até mesmo aqueles em que a gente morre e acorda no final, e que parecem tão reais que você se toca para ter certeza que está vivo.


Enquanto escrevo esse texto, escuto pela terceira vez uma música da Pink, que foi o que na verdade causou a inspiração desse texto. No refrão, com a voz arrastada, ela diz algo como “calling me sugar” (me chamando de querida). E isso me lembrou como há muito tempo eu sonhava com alguém me chamando assim. E a música, claro, tem todo um tom romântico que foi me levando a lembrar da perfeição dos sonhos.


Mas por que, afinal, na vida as coisas não acontecem assim, com riqueza de detalhes e todo esse encantamento que torna nossos sonhos perfeitos? Acho que eu sei, porque a gente acaba se apegando demais aos detalhes e não deixa que o destino tome as rédeas da vida e faça tudo ser perfeito. E embora não percebamos muitas vezes, esses momentos acontecem e beiram a perfeição. Eles acabam perdendo a graça um ou dois dias depois porque a gente fica pensando que alguns detalhes poderiam ter sido diferentes. Ou seja, nós somos mesmo uns frescos e estamos sempre querendo um algo a mais. Ah, abaixo, um pedacinho da música da Pink que eu citei aqui:



Brilho no ar



Alguma vez você já alimentou um amor com apenas suas mãos?
Já fechou os olhos e confiou, apenas confiou?
Alguma vez você já atirou um punhado de brilho no ar?
Alguma vez você já olhou o medo nos olhos e disse eu
não me importo?
É só a metade depois do ponto sem retorno
A ponta do iceberg, o sol antes de queimar
O trovão antes do raio, o fôlego antes da frase
Você já se sentiu assim alguma vez?

Alguma vez você já se odiou por ficar olhando o telefone?
Sua vida inteira esperando pelo toque para provar que você não está só
Alguma vez você já recebeu um toque tão suave que te fez chorar?
Alguma vez você já convidou um estranho para entrar?

É só a metade depois do ponto de esquecimento
A ampulheta sobre a mesa, a caminhada antes da corrida
O suspiro antes do beijos, o medo antes das chamas.


Você já se sentiu assim alguma vez ?


Aí está você sentado no jardim
Bebendo o meu café, e me chamando de querida
Você me chamou de querida

Alguma vez você já desejou uma noite interminável?
Laçou a lua e as estrelas e puxou a corda firmemente?
Alguma vez você já prendeu a respiração e se perguntou:


Será que vai ficar melhor do que hoje à oite?
Hoje à noite..

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Não podemos ser insignificantes

Às vezes, minhas amigas se perdem em dúvidas por causa de um carinha qualquer que é todo simpático no início das trovas. Aí, elas não sabem o que fazer, como falar para não parecerem atiradas ou que estão correndo atrás. Eu sinceramente nunca me preocupei muito com isso. Já tinha problemas demais pensando se as pessoas me aceitariam por ser um gordo muito nerd que não curtia sair e ficava em casa jogando um game ou lendo livro.

Aliás sabem por que comecei a gostar de ler? Isso merece uma historinha, se liga: no colegial, em uma escola particular em que estudei, nos proibiam de usar bonés. E como eu nunca fui muito de obedecer regras, queria até organizar manifestos para protestar sobre esse tipo de coisa (sim, eu fui fútil já), um dia perdi as estribeiras. Tinha comprado um boné novinho, da Nike (original, juro), e não é que a bandida da vice-diretora me tomou porque eu usava na sala de aula. Disse que só devolveria na presença do meu pai. Ora bolas, eu que trabalhei para pagar aquele boné. Me irritei ao ponto de ofender a pobre mãe da vice-diretora que nada tinha a ver com o assunto. Resultado, peguei dois meses de suspensão supervisionada. Uma frescura total, eu tinha que ficar trancado nos recreios na biblioteca lendo livros. E tinha que ler mesmo. Aí nasceu meu amor pelas histórias.

Pois bem, voltando ao que deveria ser o assunto deste texto. As gurias se perdem por causa de alguns rapazes. Elas tentam agradar sem demonstrar, e isso é muito complexo de entender. Como eu já tinha todo esse trauma de ser gordo e tal, nunca fui de perder tempo pensando. As respostas pareciam surgir em opções de A a Z na minha cabeça, principalmente quando a tarefa era conquistar uma menina.

Eu nunca me importei se parecia que estava elogiando demais a guria, acho que não podemos deixar ninguém passar pela nossa vida sem tornar algum momento da outra pessoa melhor. Ou seja, não podemos ser insignificantes na vida de pessoas que de uma forma nos são especiais, como amigas e paixões.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Quanto você cobrará por seu voto?

Ainda não estamos em período eleitoral, mas descaradamente muitos políticos vêm a nossa cidade “visitar as bases”, procurando nossos votos como urubus perto da carniça. E aproveitando esta bela época em que rios de dinheiro são despejados nas campanhas, movimentando a economia e gerando empregos temporários de cabos eleitorais profissionais (sim, existe um lado positivo), fica a pergunta: quanto você vai cobrar por seu voto este ano?

Ironias à parte, não é surpresa para ninguém que a prática da venda de votos ainda aconteça no nosso país. Desde que completei os meus 16 anos e fui correndo tirar meu título eleitoral para participar da democracia mais diretamente, procurei acompanhar o trabalho de nossas excelências, antes e após depositar minha confiança na urna eleitoral. Também fui mesário e vi a despreocupação e até irritação que alguns cidadãos possuíam de serem obrigados a votar. Ainda que eu erre e me arrependa depois, prefiro não me omitir deste processo.

E sempre dei meu voto gratuitamente para aquele que possuía a ficha limpa e apresentava as propostas mais cabíveis. Não nego também ser um bairrista e sempre ter escolhido representantes de nossa cidade para a assembleia. Vez por outra, costumo ironizar o arrependimento em determinado voto, dizendo a meus amigos que poderia ter trocado por um ranchinho ou pelo pagamento de uma conta, como muitos fazem. Na verdade, isso é uma revolta por essa corrupção ainda existir, escancarada principalmente na véspera da votação.

Voltando ao tema central deste artigo escrito em meio a reportagens para o Jornal do Povo e o final da edição do teen Formigão, afinal quanto você cobrará por seu voto? Eu cobrarei empenho, transparência, resultados e comprometimento com o trabalho e não vou tolerar orgias com o dinheiro público. Por isso, vou fazer a justiça que nosso sistema caquético não faz, não contribuindo com a reeleição de senhores criativos que guardam dinheiro em cuecas e meias (onde mais vão enfiar?). Quer uma mão pra saber como trabalham nossos políticos? Então, acessa esse site aí www.transparencia.org.br.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Queria ler seus pensamentos

Quando ela sorri será que é para disfarçar algo que aconteceu ou porque realmente está contente em me ver, mesmo com toda a chuva que caiu e estragou seu penteado, recém-modelado com a chapinha? E quando ela discute por qualquer motivo bobo será que é para me irritar e me fazer achar graça de momentos como estes? Às vezes, eu gostaria de ler seus pensamentos e conhecer cada pequeno mistério da mente dela.

E aí percebo que amo todo o mistério que é não saber o que ela está pensando.

Por que será que toda vez que ela aparece o tempo melhora, ou então cai uma tempestade e coisas absolutamente incomuns começam a acontecer? Por que será que fico mais educado e descolado quando ela está por perto, parecendo até que eu possa ser alguém bom o bastante para compartilhar da companhia dela? Às vezes eu gostaria de entender o que ela significa para mim. Mas é aí que percebo que isso não importa, e sim o simples fato de poder trocar algumas palavras vez por outra como se fôssemos amigos há muito tempo, e não meros conhecidos de breve data. E entendo a preciosidade que é ser seu amigo, vale como ouro ou diamante – o preferido delas.

Por que será que nossos pensamentos são tão distorcidos quando conhecemos alguém absolutamente incomum ao nosso mundo? Ou porque nosso mundo parece ser tão distante de pessoas desconhecidas? Acho que cada um de nós vive enclausurado em um pequeno casulo de sua vida e com o passar do tempo vai conhecendo outros mundos e é justamente isso que provoca aquela sensação de encantamento, ou uma espécie de choque ao encontrar algo novo, um sentimento novo. Ou talvez não seja nada disso e meu romantismo seja mesmo uma tragédia nada convincente.

Mas por que será que decidi escrever um texto assim esta noite? Por que será que minhas mãos vão deslizando ainda com mais velocidade enquanto deixo algumas imagens voltarem para a minha mente e me perco nelas e paro de escrever sem motivo? Não quero entender, porque nem mesmo meus pensamentos estão legíveis neste momento. Mas afinal, será que valeu a pena escrever isso, já que no máximo três pessoas vão o ler? E pior, não vão entender nada. Então, talvez eu seja um grande escritor só porque não sou compreendido, apesar de usar palavras diretas... Ou talvez essa seja uma boa desculpa para que meus escritos não façam nenhum sentido. Não sei o que vocês estão achando, nem quero ter o poder de ler seus pensamentos mais. Mas se desejarem comentar isso, fiquem à vontade.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O que será de Cachoeira?

Me fiz o questionamento deste título enquanto estava a centenas de quilômetros de Cachoeira no último final de semana. Aproveitei minhas férias no litoral, em Torres, e acabei fazendo a comparação entre a paradisíaca praia e nosso município, o quinto mais antigo do estado. De certa forma, pareceu injusto comparar a capital dos arrozais com uma das praias gaúchas mais frequentadas – pensei que para o governo de lá era mais fácil se desenvolver turisticamente justamente pela praia, mas parei e lembrei das belezas naturais de Cachoeira nunca exploradas. Aqui, precisou o professor Rocha Bueno chegar com inúmeras ideias e acabou encarado como um lunático, mas acabou dando um exemplo que infelizmente foi ignorado por nossos governantes.

Voltei com essa inquietação na cabeça com relação ao nosso município e divido com vocês agora: o que será de nossa Cachoeira? Pessoalmente, parece não existir grandes perspectivas de desenvolvimento a médio ou longo prazo. Torres, por outro lado, não para de crescer, principalmente o setor da construção civil. Edifícios de luxo são erguidos em poucos meses e vendidos em semanas. Outra diferença gritante que senti foi com relação à cultura, de motoristas sempre solícitos com os pedestres e de comerciantes que pareciam cair do céu para oferecer os produtos.

Mas afinal o que será de nossa Cachoeira. O governo anterior focou o desenvolvimento e trouxe empresas de grande porte. Hoje, este trabalho parece ter sido abandonado. Não há uma campanha de divulgação dos potenciais da cidade. Às vezes, dá impressão que somos amadores perto de outras cidades, basta comparar com Santa Cruz do Sul e Santa Maria. Sequer somos capazes de desenvolver nosso turismo, de proteger nossa história ou melhorar nosso trânsito, e não falo de mudar o sentido de uma rua apenas. E nossos governantes parecem encostados em um trono de ouro se sentindo injustiçados a cada cobrança mais áspera da mídia.

Acho que um problema nosso (e do país) é que a Prefeitura (o poder) é encarada por muitos mamíferos da política como uma oportunidade de se encostar, e não uma chance para o desenvolvimento como um todo. Para outros, ela é apenas um trampolim e aí nos mostram obras para mais tarde nos pedir votos, quando não tentam comprá-los.

E os projetos onde estão? A saúde modelo vai sair do papel? E o pessoal do interior vai ouvir promessas até quando? Quando vamos dar valor ao patrimônio histórico? Onde está nossa política de atração de empresas? Afinal, o que essa cidade pretende para seus próximos anos? Sinceramente, não sei. Pois até mesmo a chance de exigir pagar menos pela água jogamos fora, permitindo que a Corsan dite as regras do jogo. Nosso governo abre mão do direito de ser protagonista do futuro de sua cidade para ser mero coadjuvante. Eu quero pagar menos pela água, quero não precisar sair daqui para buscar emprego, quero lazer e cultura. Eu quero bem mais para nossa Cachoeira do que simplesmente aparecer em uma foto de jornal ou em coluna social.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Minha conversa com o diabo

Tem dias que parece que as portas do inferno estão completamente abertas a nossa frente e o diabo aparece nos convidando para um drinque. Noite passada eu aceitei depois que cansei de escrever um livro. E tomei alguns copos de uísque com ele enquanto decidia sobre o que fazer quanto a minha vida. Eu queria muito escolher sobre uma aproximação com a política e o diabo tentava me convencer das vantagens, explicando a vida de pouco trabalho e muito dinheiro que eu poderia ter.

Do alto de sua sabedoria satânica, ele me explicava que não teria mais motivos para me revoltar com a injustiça social do meu país e que eu não tentaria mais entender porque para uns a vida é tão mais fácil do que para cidadãos-escravos do dia-a-dia. Não sei por que ele usou a expressão escravos, mas acho que ficou apropriada de qualquer forma. Eu argumentei com o diabo que desejava participar da política para mudar essa tradição. Ele teve um acesso de riso e confessou que a maioria começa assim, mas acaba fazendo um acordo com ele.


Entre um uísque e outro, eu falava para o diabo sobre a minha inquietação com os políticos por suas falcatruas e pelo fato de jamais receberem uma condenação, usando da astúcia de advogados caros para safarem-se de uma punição. “É assim a vida, meu jovem. Deus mandou seu filho pra sofrer no mundo. Que justiça é esta”, perguntava o diabo. Talvez pelo efeito do uísque que eu realmente bebia, passava a questionar o que o demônio me dizia. Ele tinha razão de certa forma. Enquanto ele tentava me persuadir eu lembrava do que uma amiga havia me dito sobre o exemplo de Jesus, de se sacrificar pelas pessoas. Aquilo me parecia mais racional, mas o diabo começou a prometer a realização de meus sonhos.


Foi quando eu comecei a perguntar qual seria o lado ruim de tudo o que estava me sendo oferecido. “Nada, meu caro. Basta que assine aqui e não terás uma vida maravilhosa, as mulheres mais lindas, carros, dinheiro, fama...”, prometia o demônio, enquanto acendia um charuto. Eu disse que iria pensar no assunto e fiquei com a caneta dele, preta com detalhes em vermelho e havia meu nome gravado ao lado da palavra sucesso. O diabo me convidou para passar a noite ao lado de lindas mulheres, mas acabei adiando lembrando que teria de acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. “Até logo, rapaz”, ele disse acenando com o charuto.


No dia seguinte, notei que havia uma carta endereçada a mim de um político me convidando a trabalhar como seu assessor. Até a noite de hoje ainda não havia me decidido, porque não havia contado a minha história a ninguém. Foi quando Deus apareceu e me convidou para um papo. Ao contrário do demônio, ele me ofereceu apenas um copo de água e disse com muita humildade que não poderia me oferecer riquezas, nem mulheres ou algo do tipo. O que Deus fez foi lembrar que foi Ele quem me deu poder para brigar por tudo isso ao me conceder o livre arbítrio e disse que eu poderia até procurar na política. “Nem todos os políticos vão para o inferno”, disse ele apontando alguns senhores na entrada do céu. “Aquele ali conseguiu mobilizar a sua cidade e juntou recursos para melhorar o hospital de lá”, comentou apontando um homem simples. A minha decisão então acabou sendo tomada e me tornei um jornalista formado pela vida.