terça-feira, 30 de março de 2010

Jesus venceria a eleição?

Uma das máximas da política diz que cada comunidade tem os governadores que merece. É uma espécie de explicação para aqueles governos que não dão certo e são tachados pela incompetência ou morosidade. Ah, essa frase é usada também pela oposição na tentativa de forçar a opinião pública contra quem está no poder e até dá certo. Aliás, é muito fácil convencer (enganar) o povo. Para quem nunca acompanhou uma eleição, eu indico um passeio por sua cidade na véspera do dia de votação, nos bairros mais pobres, você verá coisas interessantes.

É com base nessa constatação de que o povo pode facilmente ser induzido a votar em qualquer cidadão – tendo ele a solução mágica para todos os problemas de um município, estado ou nação – que coloco o questionamento: será que Jesus venceria a eleição? Desde já, que fique bem claro que este não é um texto que trata de religião, mas uma simples análise do atual momento da política nacional, marcada por episódios que todos conhecem. Também não critico aqueles que pegam seus votos dentro de igrejas, acho que nem a Justiça ou o papa se importam com isso.


Mas não pense em como seria o trabalho de Jesus com toda a “fama” que ele tem hoje. Imagine um homem com a mesma índole e propostas de pacificação de Jesus. Na atualidade, é possível acreditar em um candidato com esse perfil, que chegaria como o salvador dos homens? Acho que Jesus não teria sucesso em uma eleição. Minha tese é que ele concorreria por seu desejo de mudar o mundo, mas não conseguiria apoio nenhum sem conhecer o jogo político. Não basta ser boa gente e ter grandes propostas. Ele precisaria de aliados fortes para o pleito e ainda uma boa ação de marketing, a exemplo do que ocorreu com o Obama. Mas por que isso acontece? Como pode até Jesus não se eleger? Aí voltamos ao ponto de partida deste texto.


Você leu a Bíblia ou conhece a história do filho que Deus mandou para nos salvar? Bem, Jesus foi preterido à salvação pelo povo para que o bandido Barrabás fosse libertado. Sim, o povo sempre teve o que merece. Preferiram crucificar Jesus e deixar solto o ladrão. Não sei se isso não é parecido com a atuação do nosso Judiciário com relação aos políticos acusados de desvio de verbas e tudo mais. E também não adianta sonharmos pois não vai aparecer nenhum Jesus para nos salvar lá em outubro.


O que você pode fazer é cobrar, fiscalizar o que a política faz com o seu dinheiro e hoje, graças às modernidades, existem formas de fazer isso sem sair da frente do computador. Mas claro que depois não custa nada se organizar e cobrar uma atitude, de forma ordeira, dos governos com relação ao cumprimento de promessas ou atendimento aos anseios do povo. É assim que você atua na política sem ser político, fiscalizando, acompanhando e liderando movimentos. E vamos parar com a mania de envolver Deus com a política, por favor...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Um cafajeste honesto

Todo cara após um tempo aprende a lidar com as mulheres, como levar as situações do dia-a-dia na mais absoluta paz, sem aquelas briguinhas bobas. Mas o aprendizado mais intenso, que começa cedo (lá no jardim de infância quando o gurizinho empresta seu lápis colorido pra menininha) é o que conta para que o sujeito se transforme num conquistador barato. Não é incomum falar que nós homens somos caçadores, que nosso apetite sexual é maior e que por isso traímos mais. Pessoalmente, acho isso uma bobagem, mas quem quiser que acredite, não vou tentar provar o contrário.

O importante é que toda menina precisa saber que muitos caras usam todo tipo de arma para seduzir e encantar as princesas pelas ruas (assim como elas também fazem!). Alguns são beneficiados pela natureza e exibem suas barrigas tanquinho e seus músculos com roupinhas minúsculas. Os que bebem cerveja e têm uma pancinha precisam ser espertos e apelar para métodos de persuasão e recorrer à poesia, romantismo e outras frescuras que muitas delas ainda apreciam. Tem cara que ainda manda flores, com recadinho e tudo. Quando não vai no tradicional papelzinho, rola um torpedinho ou recado deixado pela net. E que bom que muitas meninas ainda gostam de um pouco de romantismo, ou caras como eu estariam perdidos.


É por isso que prefiro me enquadrar no terceiro tipo de homem. Não é uma expressão nova a palavra cafajeste, mas talvez a mistura com o termo honesto seja inovadora. Bem, sou um cafajeste honesto. Cafajeste porque já fui assim chamado e honesto porque nunca escondo o que sinto em relação a uma menina, seja ela um casinho, amiga, namorada, mamãe ou até mesmo aquela prima distante com quem posso ter um affair no próximo ano. Tudo bem, me chamem de galinha, mas ainda assim prefiro a sinceridade a um elogio vazio absolutamente mentiroso só pra conseguir uns beijos ou uma transa casual.


Aliás, ser um cafajeste honesto tem algumas regras. Em primeiro lugar é preciso ter amigas que conheçam o cara bem. Elas serão como uma assessoria de imprensa do rapaz e vão divulgar sua boa imagem. Ao mesmo tempo, nunca é ruim ter inimigos úteis, aquelas pessoas que todos detestam e que falam mal do cara. Sem perceber, eles fazem um marketing positivo também. Atitudes politicamente corretas, como se preocupar com os amigos, ter cuidado com as palavras e tal também contam pontos. É extremamente importante ser descolado e ter segurança, e é aqui que me falta habilidade. Mas acho que isso é só um bloqueio de infância porque eu nunca fui escolhido pro time da pelada. Mas acima de tudo, há uma regra que jamais deve ser quebrada. Um cafajeste honesto não pode nunca, jamais, ofender ou tratar mal, nem por um segundo, uma menina com quem tenha um relacionamento sério.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lágrimas sobre o papel

Cada pequena lágrima derramada sobre o velho caderno que serviu de diário revelava a tristeza que tentava esconder. O telefone, desligado sobre a mesa bagunçada, era a prova de que não queria ouvir ou falar com ninguém. As fotos espalhadas sobre a cama denunciavam a saudade que sentia de um passado pouco distante, elas se misturavam às peças de roupa que ela escolhera para sair, mas que ficaram ali jogadas porque a tristeza a venceu.

Na tela do computador, apareciam os velhos depoimentos de Cadu e Vivi os lia lentamente como se fosse a letra de uma música romântica que ela ouvia todas as noites. O player tocava repetidamente a mesma canção da primeira dança e ela lembrava do tamanho de seu sorriso naquela noite perfeita. O papel manchado com lágrimas ensaiava um pedido de explicação. Vivi não conseguia ordenar os pensamentos escrevendo no computador, precisava sentir a velha caneta sujando o lado dos dedos após desenhar as letras no papel.

Os gritos vindos da sala mostravam que seu pai realmente não iria aceitar Cadu e esta imposição parecia forçar a menina a buscar pelo rapaz e tentar uma reconciliação. Desde que o pai de Vivi o humilhou, criticando por ser um jovem humilde, Cadu não quis mais ver a menina, acreditando que realmente não a merecia. A menina tentara durante dias apenas uma conversa com ele, mas nada adiantava. Cadu claramente tentava evitar Vivi. Suas amigas a convidaram durante toda a semana para ir à festa e tentar esquecer o menino, embora soubessem que o amor dos dois fosse sólido demais para se quebrar tão rapidamente.

As lágrimas não paravam, Vivi não entendia a imposição do pai contra o seu namorado. E sentiu dentro de seu próprio coração cada ofensa que o pai havia disparado a seu amado. Até entendia a tentativa do rapaz de se afastar, mas ela estava disposta a lutar pelo seu amor. Foi por isso que correu até os velhos All Stars que estavam sob a cama e reuniu todas as velhas fotos na mochila, saindo de casa no meio da noite. Perto da casa de Cadu, pôde ver que uma sombra estava parada na próxima ao portão. Era o menino, de cabeça baixa mexendo no celular. Vivi chegou de surpresa e tirou o aparelho da mão do amado. Na tela estava escrito: “amor, eu quero muito ficar contigo. Liga o celular e vem aqui, estou morrendo de saudades”. Ele olhou para cima, notando os olhos da amada cheios de lágrimas e levantou-se para acarinhar o rosto dela. “Eu te amo, Vivi”, disse ele, antes de beijar a garota.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A complexidade de uma sexta-feira

Sexta-feira sempre é um dia desgastante, chato, arrastado e perturbador, pelo menos pra mim. E até onde me recordo, sempre foi assim, desde o colégio, embora naquela época o sentimento de liberdade fosse muito maior. Sei que a maioria das pessoas detesta a segunda-feira. Mas a segunda é tão tranquila, você começa relaxado depois de um final de semana de descanso e festas. A sexta-feira não, ela é carregada, você traz junto toda a correria dos outros dias, todo o estresse e aquilo fica acumulado e você tenta se libertar. E a maldita sexta-feira não acaba.

Sinceramente, você já parou e pensou na complexidade de uma sexta-feira? Puxa, acho que sou o único cara cheio de coisas para fazer neste dia e que ainda arruma tempo para escrever algo assim. Realmente, me falta assunto. Não quero escrever sobre o amor, porque acho que não sou um profundo conhecedor. Ou talvez eu seja e isso foi apenas uma falsa modéstia. E hoje é sexta-feira e o dia está verdadeiramente encantador, embora eu esteja encerrado na minha ilha da redação do Jornal do Povo decidindo como abordar uma pauta qualquer.

E enquanto faço isso e penso na maluquice das últimas sextas, volto ao meu passado, aos meus tempos de Borges em que pegava o carro para ir para fora, pescar, tomar banho de rio e conversar descompromissadamente com os amigos de lá. É incrível o impacto que o fim da adolescência teve na minha vida, terminando com o meu tempo disponível para esses pequenos prazeres. E ainda que isso não ocorra mais ao final de todas as sextas, eu prefiro olhar o lado positivo e notar o quanto valorizo mais esses momentos. E hoje é uma sexta-feira, ela iniciou comum e agora, pouco antes do meio-dia, não me revela ainda nada sedutor, nada que me empolgue a gostar um pouco mais desse dia. Sei que os defensores da sexta-feira vão dizer que este é o dia de extravasar, de sair, de fazer festa e de beber até cair.

Mas sinceramente, eu prefiro ficar de pé, trabalhar, escrever, concluir meu livro que infelizmente está parado, terminar um trabalho que pode influenciar o desenvolvimento da cidade e continuar meu compromisso assumido com os jovens de Cachoeira. Poucos sabem, mas numa sexta-feira à noite eu criei o projeto editorial do jornal Formigão com um sonho em mente – que mais jovens começassem a ler e a se interessar e desenvolver seu senso crítico. Pois é, sexta até não é um dia assim tão ruim...

terça-feira, 16 de março de 2010

Quero uma cerveja esta noite

Acho que já escrevi sobre isso e como agora sei que muitos menores de idade me leem (agora é sem acento mesmo!), previno que não estou incentivando o consumo de álcool. Pois bem, eu disse que quero uma cerveja, mas minha vontade é cumprir um ritual que não organizo há muito tempo. Beber, ou melhor, apreciar uma cerveja não é um simples ato de chegar ao boteco da esquina e pedir uma ceva. Não, até pode ser assim se você for um alcoólatra, mas apreciar uma cerveja requer toda uma preparação.

Para começar, é preciso no mínimo um local agradável para beber cerveja e o precioso líquido não pode custar mais do que quatro reais a garrafa. Quando falo em lugar propício, me refiro a uma mesinha em um lugar fechado, mas bem arejado, de preferência com paredes de vidro que dirijam nosso olhar para um ponto movimentado. Tem que ter no mínimo quatro lugares para que possamos apreciar a loira gelada na companhia de amigos e algumas batatas fritas. É imprescindível que o ambiente seja frequentado por mulheres, e de preferência que elas sejam atraentes. A alternativa para toda regra é quando há jogo do time do coração, dia em que a emoção é que controla quantas cevas você vai beber. Tipo, sai um gol e o pessoal: “garçom, manda mais uma”.


Voltemos às regras. Não tomem porre, amigos. Sério, não tem a mínima graça. Digo, até tem, vão rir muito das bobagens que você falar e fizer. Pessoalmente, não tomo um porre há pelo menos dois anos. Estou careta porque passo muito tempo trabalhando e às vezes esqueço esses prazeres que a vida nos proporciona. E uma cerveja gelada, depois de um longo dia de trabalho é um presente dos deuses (que me perdoem os seguidores de igrejas). Mas claro aprecie com moderação e não dirija e não se mate e nem encha o saco daquela sua ex-namorada ligando tarde da madrugada cheio de palavras pastosas.


Ultimamente tenho me desdobrado entre textos para adultos e adolescentes, tenho escrito essas bobagens aqui e estou tentando contribuir, da minha forma, para o desenvolvimento de Cachoeira. Mas tem dias, como hoje, em que a única coisa que desejo fazer no final do dia é tomar uma cerveja. Porque não pude ir ao show do Guns n Roses em Porto Alegre cantar You Could Be Mine com uma multidão de fãs, nem fechar a noite ouvindo Paradise City, para depois ir a um bar qualquer tomar uma cerveja e ver o quanto a vida é bela. Pelo contrário, trabalhei das sete da manhã até agora, são quase dez da noite. E a vida é bela mesmo assim, porque tenho uma cerveja me esperando, bem gelada.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Suas manias

Nunca fui bom de poesia, e nem acho que seja capaz de rimar o amor que sinto por todas suas pequenas manias que me encantam e me fazem escrever textos sem sentido. Aquela mania de mexer comigo no meio do dia, me obrigando a telefonar só para ouvir algumas palavras e te dizer pela quarta vez que te amo e que sinto sua falta. E aquela sua insistência de me encantar e de alterar até mesmo o humor de São Pedro, que ao te perceber desiste de fazer chover e abre as nuvens para que o sol possa te ver, te fazendo usar aquelas roupas pequenas, mostrando seu corpo lapidado como se fora um diamante e ofuscando meu olhar, me fazendo imaginar os momentos que gostaria de passar só assistindo o desenho do teu sorriso, no cair da noite, enquanto a chuva nos refresca e nos convida para amar.

Não canso de amar seu sorriso, nem de me perder em pensamentos e sonhos que me fazem voar. E se for para voar, tem que ser com você, meu anjo, ao meu lado, porque eu cairia se você não estivesse ao meu lado me ensinando a mexer as asas. Porque você tem mania de viver intensamente e me provocar a fazer o mesmo e de me arrancar palavras e juras de amor toda a vez que me deixa te abraçar. E eu juro te amar, e acho duro te amar assim de longe às vezes e ter que me entregar às folhas de papel e a alguns copos de uísque para fazer o tempo passar logo, só para que chegue logo o amanhã, o dia que vou te encontrar, sozinha em qualquer lugar a minha espera.

Mania de sumir e me sufocar com a saudade. E me fazer lembrar, todas as noites, que não posso dormir sem pedir antes ao tio lá de cima para te cuidar. Essa mania de escrever e pensar e tentar entender o pensamento, e deixar para escrever mais tarde ou falar outro dia sobre o que estava pensando... Confusão total! Tenho mania de gostar de tudo que você faz e detestar ficar longe dos teus beijos delicados e ardentes, doces e quentes, sinceros e provocantes. Eu poderia escrever só um texto falando de cada um dos seus beijos, mas prefiro mesmo é beijar. Porque você tem mania de me beijar e tornar aqueles segundos inesquecíveis, como aqueles sonhos que desejamos por horas, ou por toda a vida. Como eu disse, nunca fui bom de poesia e acho que minhas palavras não são suficientes para atingir a sua alma da mesma forma que o seu sorriso é forte para fazer meu coração desacelerar e me obrigar a escrever palavras que não conseguem descrever o quanto te amo, bebê.

Não guarde suas impressões

Gosto de me surpreender e acho que a vida não tem graça se de vez em quando algo ou alguém não nos encher de curiosidade e excitação, seja por seu jeito ou por falar qualquer coisa interessante, ou simplesmente por um sorriso escancarado numa tarde de domingo. Gosto de inteligência e beleza, mas admiro muito a capacidade que as pessoas têm de se articular e defender seu ponto de vista, acho que não tem nada de interessante quando as pessoas apenas concordam com o que pensamos, embora, muitas vezes, isso possa ser também positivo.

É por isso que eu prefiro não guardar minhas impressões da vida, das pessoas, do dia ou até mesmo do trabalho. Eu prefiro ter opinião e expressar o que pensei ao invés de morrer pensando em como teria sido se eu tivesse falado o que acabaria escondendo... Deu pra entender essa última reflexão? Mais ou menos assim, prefiro falar a morrer com palavras engasgadas, porque muitas vezes as palavras podem desarmar, podem agradar ou mesmo desagradar, mas elas sempre vão provocar algum sentimento que vai retornar para mim.

Por exemplo, se eu escrever esse texto agora dizendo para você, caro leitor, o quanto estimo a sua presença neste blog apreciando esse texto ridículo, você vai se sentir lisonjeado e provavelmente irá dizer que gosta do que está escrito aqui. Sabe por quê? Porque eu te provoquei, ainda que inconscientemente, a dizer isso. Não sei se existe uma teoria sobre isso, mas essa é a minha. Quando você provoca a pessoa com um elogio, ela vai te retribuir provavelmente na mesma moeda. Então, não guarde suas impressões de alguém na próxima vez que se encantar. Ela vai saber olhar para as suas qualidades e vocês vão ficar numa linda troca mútua de elogios, se descobrindo e até conhecendo qualidades que nem imaginava possuir. Ah, pra finalizar, obrigado a todos que vieram elogiar esta edição do Formigão. Essa parceria de vocês me faz acreditar no caminho que estou seguindo e continuar por ele. Valeu, amigos e amigas.