sábado, 7 de setembro de 2013

A garota do All Star


Paixão é viver na dúvida. Foi por isso que me apaixonei perdidamente pela garota do All Star numa dessas noites num bar. Ela estava pertinho, e apesar de cometer o pecado de sair para a noite sem usar um salto alto, estava linda. 
É impressionante como a distribuição de beleza consegue ser mais injusta do que a de renda. A guria do All Star estava linda vestida de forma simples, uma blusinha solta, sem maquiagem, o tênis sem meia e um shortinho branco. Enquanto isso, as outras mulheres do barzinho pareciam ter se dedicado horas a fio na escolha da roupa, na seleção da calça que iria destacar um pouco mais a bunda, e na maquiagem que combinaria mais com sua expressão. 
A guria do All Star se expressava com as mãos, isso também chamou atenção. Com as mãos e o olhar, aquele olhar de quem está interessado mesmo quando a conversa não vai render nada. Pessoas assim são generosas por natureza, ainda mais porque hoje em dia emprestar a nossa atenção para alguém é algo raro. 
Mas a paixão que senti pela garota do tênis tradicional do rock poderia acabar se eu fosse trocar uma ideia. 
Então, prefiro pensar que a garota do All Star seja toda a perfeição que idealizei, e não alguém normal com defeitos de verdade como todos temos. A paixão é despreocupada. O amor vai aprender a conviver com os defeitos... Então, vou continuar apaixonado pela guria do All Star, mas não sou capaz de amá-la. Porque são duas coisas diferentes, extremamente diferentes, como um tênis e um salto alto.

domingo, 1 de setembro de 2013

O Grenal mudou os rumos no Sul

O último Grenal foi sintomático para o futuro das equipes gaúchas no Campeonato Brasileiro. Naquela partida, a equipe tricolor estreava, em uma prova de fogo, um esquema com três zagueiros. Não permitiu que o Inter, sem nenhum ímpeto ofensivo, jogasse e teve triangulações, ancorado na qualidade, sim, de seus laterais.

Buscou o gol e encontrou no pênalti sofrido por Kleber. O Inter teve duas jogadas ofensivas em sequência, onde volantes saíram para o jogo e avançaram sobre a defesa. Numa delas, empatou a partida. No final do confronto, jogadores colorados comemoraram um empate. Isso não é grandeza.
A partir daquele divisor de águas, o colorado empacou no campeonato – sendo que antes, em preparação ao Grenal, jogou com uma equipe meia boca e levou três do fraco Náutico, time candidato à queda. Inadmissível. Não seria problema se tivesse feito um Grenal objetivo, ofensivo e de jogo agudo. Não fez. Aliás, nos jogos seguintes, não encontrou a vitória no torneio. Empacou na tabela logo depois de ter atingido a primeira posição.
Enquanto isso, o Grêmio foi encaixando o esquema de três zagueiros. Conforme os resultados positivos vieram aparecendo, sem atuações brilhantes, o ímpeto dos jogadores também foi melhorando. Impossível reconhecer méritos em Renato Gaúcho desde então, na mobilização dos jogadores.
Este, aliás, é um diferencial no Brasileirão. Como há mais de seis times com grupos qualificados, é preciso manter as boas atuações com o passar das rodadas. As dificuldades são as mesmas para a maioria das equipes. O Inter teve em poucas partidas esse ano um time propositivo, vertical. É burocrático. Basta notar quantas vezes D’alessandro pega a bola de costas para o marcador para fazer um giro qualquer ou sofrer a falta. Ainda assim, é essencial ao time. Uma dependência que se torna prejudicial à equipe.

Há material humano para inovar no time colorado e experimentar uma equipe mais ofensiva, desde que haja dois volantes de força à frente dos zagueiros, como ocorreu no jogo contra o Coritiba, onde mesmo assim houve espaços. Os atacantes do Inter não seguram a bola quando ela é desafogada. A forma de jogar do time não permite isso hoje. E se for pensar em jogar com três homens de frente, D’ale, Forlán e Damião precisam fazer algo que hoje produzem sem qualquer vontade, marcar os adversários. 

sábado, 31 de agosto de 2013

A atitude da secretária Fátima

Essa história real, por questões pessoais, não foi para o jornal no dia seguinte, como acontece com os fatos do cotidiano cachoeirense. Fiz a opção de não transformar o ocorrido em fato jornalístico. Trago agora para que vocês possam conhecer um pouco do que vi da atuação da secretária de Trabalho e Ação Social, Fátima Lamb. A atitude que ela teve no dia em que isso aconteceu rendeu minha admiração.
Eu não conhecia a secretária. Para falar a verdade, ela era do serviço de orientação estudantil do Borges de Medeiros quando lá estudei, no início dos anos 2000, então logicamente eu a temia sempre que fazia coisas que não devia na escola. E sim, eu fiz muitas coisas na escola que não devia. Mas ainda assim, não conhecia a secretária. Eu também sabia que ela é esposa de um dos melhores professores que tive na vida, o Carlos Henrique Lamb – com quem a hoje vice-prefeita Mariana Carlos, na época minha colega, discutia afiadamente nas aulas de geografia.
Estive na Prefeitura fazendo a cobertura do anúncio da nomeação de Fátima como secretária municipal para uma área em que (devo reconhecer) não acompanho o trabalho de forma tão próxima como deveria. Vou parar de enrolar vocês e contar logo a história, e vocês depois julgam como acharem melhor. Para mim, a atitude da secretária Fátima e da assistente que estava com ela naquela noite fria de inverno cachoeirense foi um gesto raro de humanidade nos dias atuais.
Um senhor de idade avançada havia se postado à porta do Sistema Fandango de Comunicação, estaria embriagado. Imagino que ele sofra de alguma doença e dava para perceber que era depressivo. Faz muito tempo que entendi que alcoolismo não é sem vergonhice, e sim uma doença séria e que precisa de muita ajuda para ser vencida. Este senhor, a quem omito o nome de propósito, parecia não ter familiares em Cachoeira e insistia em passar a noite ali, no chão, numa das noites mais frias do ano.
A secretária e a assistente apareceram, na calada da noite, fora de seu horário normal de trabalho, para ajudar aquele homem. Aliás, um senhor cuja sabedoria e conhecimento imagino que eu jamais alcance. Um homem letrado, destruído pelas circunstâncias da vida. Numa sacola carregava pequenos objetos, pude notar que não levava esperança em nenhum dos bolsos do casaco que vestia. E elas ouviram aquele senhor, lhe deram atenção. O convidaram para sair dali e ir para o hospital, se alimentar. Quem conhece os males da bebida sabe que o doente normalmente não quer ser ajudado.

Aquele senhor não queria, disse que ficaria ali, que não temia o frio. Não imagino cidadãos que não se emocionariam com aquela cena. Com tamanha insistência, o senhor acabou aceitando a proposta de sair para fazer um lanche acompanhado das profissionais da Prefeitura. O nosso colega de Sistema Fandango de Comunicação, o seu Airton Lima (que tem o costume de me chamar pelo sobrenome), também se comprometeu e acompanhou o grupo, já que esse era um pedido daquele homem. Muitos podem julgar e dizer que era obrigação da secretária e da profissional fazerem isso, afinal até para gestos bonitos há alguém para criticar. Mas eu vi o que ela fiz e falei para meus colegas naquele dia de como havia ficado impressionado com aquilo. Aquele dia, preferi não ser jornalista e não escrevi nada do que havia ocorrido para não expor aquele senhor sem necessidade. No entanto, precisava fazer de alguma forma o reconhecimento da atitude destas três pessoas, a secretária Fátima, a assistente Mariele Lopes e o seu Airton. Ainda há pessoas carregando um pouco de esperança para nosso mundo. 

Artigo publicado no jornal O Correio, dos dias 31 de agosto e 1º de setembro de 2013.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O olhar

O olhar é mais sensual. As coxas não seduzem como um olhar. Os seios apenas chamam atenção para aquele ponto cego no meio do decote. Mas o olhar nos fixa, nos impede de desviar a atenção. O olhar sorri ou ignora. O olhar vai nos dar a direção. O corpo, no máximo, vai provocar o tesão - que é algo tão frágil que pode ser controlado sozinho. Mas o que o olhar nos faz sentir é difícil até de ser explicado, é além da compreensão.

domingo, 28 de julho de 2013

Não gosto de fazer compras em Cachoeira

Não me sinto bem fazendo compras em Cachoeira. Talvez por isso a variedade de peças em meu guarda-roupa seja pequena, vai saber. Por vezes sou obrigado a ir às compras. Meu irmão vai casar neste sábado, tanto que há um planejamento logístico para a viagem e então tive de fazer compras esta semana. Diferente de todas as outras vezes, fui muito bem atendido, pela gerente da Franco Giorgi. Pendurei duas camisas em quatro vezes, que acabarei pagando em duas por um costume próprio, só que isso não interessa.

Não gosto de comprar aqui porque na maioria das vezes sou mal atendido, diferente do que ocorreu na quinta. Detalhe: naquele dia, fui à loja ao meio dia. Só um empreendimento diferenciado para abrir nesse horário. Há vendedores despreparados que não sabem responder a questionamentos simples. Cachoeira tem lojas de dondocas que devem acreditar que são mais importantes que o produto e mais ainda que os clientes. Eu não entendo tecnicamente sobre “como conquistar um cliente”, mas eu sei como eu quero ser atendido. Primeiro, com atenção.

É impressionante registrar que boa parte dos estabelecimentos a gente espera um vendedor por mais de cinco, 10 minutos. Conheço um homem que veio comprar um carro para dar de presente para a mulher. Entrou em duas revendas. Na primeira olhou todos os veículos sem receber nem ao menos um “bom dia”. Na segunda, gastou uns R$ 100 mil e fez a alegria da patroa. Já assisti a uma palestra em que o cara, acho que era do Tevah, dizia que os vendedores deveriam cair do céu. Eu sei que a culpa não é dos vendedores, só que eles poderiam também se esforçar um pouco mais, em vez de apenas reclamar de salário (ninguém nunca está contente com sua remuneração).

Não gosto de fazer compras em Cachoeira porque os empresários não criam uma promoção inovadora, como um dia sem imposto – apenas para dar um exemplo. Os empresários, eis os grandes culpados, deveriam capacitar seus funcionários, e não tentar encontrar em meio aos currículos o mais novo sucesso de vendas da loja. E, claro, deveriam valorizar os profissionais que vendem mais. Quem sabe um concurso na loja, uma viagem de fim de ano com tudo pago para quem somar mais vendas? Fica a sugestão.

Muitos amigos contam que foram mal atendidos por estarem mal vestidos. E isso é uma realidade, já tirei a prova. Certa vez fui procurar um tênis com uma daquelas camisas de banda bem velha, desbotada, eu era adolescente e fui ignorado completamente, como se tivesse uma doença contagiosa. Até imagino que isso não seja exclusividade de Cachoeira. O que não desfaz minha vontade de reclamar.

Agora, um lance mais pessoal. Quando vou fazer compras, não quero que o vendedor finja ser meu amigo, espero que ele seja natural, que mostre o produto, que até insista em outras compras, mas que saiba dosar isso. Só uma reflexão final agora.

Dia desses um amigo com formação na área comentou sobre a estratégia do pós-venda. Parei pra pensar e percebi que nunca recebi na vida uma ligação depois de fazer uma compra, para saber se estava satisfeito com o produto. Mas tenho esperança, ainda sou novo. Quem já passou por isso acaba fiel ao empreendimento, fala bem dele. Quem é bem atendido também. Então por que acontecem convenções e mais convenções e eventos e o atendimento de forma geral não melhora?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O que uma mulher deve fazer?

Nos últimos dias tenho sentido um machista saindo de dentro de mim. Por favor, não sejam imbecis de maliciar a frase, ainda que eu tenha feito isso de propósito apenas para provar uma tese de como a interpretação às vezes é previsível. Sinto que a personalidade machista de tempos atrás tem deixado de existir, basicamente. No fundo eu sempre soube que era feminista porque acho que elas devem ter os mesmos direitos que a gente, e toda aquelas paradas maneiras. Eu sei que muitas mulheres devem pensar que os homens as enxergam apenas como um objeto qualquer. Na verdade, a maioria as vê como um BELO objeto! 
Quem começou a ler minhas colunas agora não sabe há quanto tempo escrevo exatamente. A mania iniciou por volta dos 13, 14. Quando comecei a escrever um pouco melhor (e não acho que escreva bem ainda), lembro de diversas vezes postar no blog crônicas sobre as formas como as mulheres deveriam se comportar, se vestir, agir, essas coisas. E eu nunca pensei no quanto estava sendo preconceituoso em relação a elas, vejam só! Ainda tenho alguns preconceitos, entendam que não é assim tão simples deixar a imaturidade de lado. 
Esta semana pensei:
“Uma coisa que toda mulher deveria fazer: o que ela quiser”. 
Sim. E me perdoem quem acha que falo demais sobre elas, mas nunca senti nenhum tipo de atração, nem interesse pelo universo masculino. Como diz um amigo, se não existissem mulheres no mundo, os homens nem trabalhariam e viveriam pescando e jogando bola. 
Como jornalista formado e forjado dentro de uma redação, uma das coisas que mais defendo profissionalmente é a liberdade da imprensa e também de pensamento. E eu seria incoerente demais (como já fui, e ainda sou às vezes) se não pregasse que mulheres devem, sim, fazer o que elas quiserem.
Quer ir pra balada e passar o rodo? Se joga, garota! Quer usar roupas coladinhas e decotes mostrando os seios? Manda ver! (Aliás, por favor). Quer namorar e mesmo assim ter outros lances? Pois, faça, minha querida. Está pensando em usar aquela cinta-liga sensual que viu na vitrine da loja, mas não teve coragem? Pois tenha coragem! Tenho inúmeras amigas que são assim, que agem sem ligar para o julgamento dos outros e eu as admiro por essa autenticidade. 
Só tem uma parada que eu não curto, e aqui não é uma crítica às mulheres, mas em geral: não paguem de inocentes. Se você quer ser livre pra fazer o que quiser, seja também autêntico e não fique criando um personagem perfeitinho pra aparecer legal pra sociedade. Sei que isso se torna incoerente diante do que vinha escrevendo antes. Só que eu não sou reto, tenho defeitos e quer saber, dane-se. 
É isso, tem uma coisa que toda mulher deve fazer: o que ela quiser, a hora que quiser, como ela desejar e com quem ela pretender.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Tell me that u open your eyes

Esse título americanizado aí é o refrão de uma canção de uma banda que não recordo o nome e nem quis procurar no Google pra informar com precisão. Queeeeeeeeeeeeem sabe em alguns instantes eu lembre o nome, ah sim, Snow Patrol (http://www.youtube.com/watch?v=fk1Q9y6VVy0). Pronto! 

Mas por que, você pergunta, eu escrevi esse lance ali no espaço sagrado do título??? Simples, meu querido navegante virtual...

Essa era a canção que tocava quando recebi a notícia que mais devastou a minha vida até hoje. Ligaram do hospital pra dizer que ele havia partido, abrindo um buraco desgraçado no meu coração e me afogando em lágrimas que fui chorar só uns 20 dias depois do enterro. Parecia ironia que tocasse na hora que ele faleceu algo que soava “me diz que você abriu seus olhos”. Massssssssssss não é sobre uma parada triste e depressiva que eu pretendia escrever, não!

Quero falar da importância de amigos que têm essa capacidade, de nos abrir os olhos e enxergar os erros que estamos cometendo com nossas vidas. O quanto estamos nos afastando da palavra do Senhor, nãoooooooooooo, mentira, eu não escrevo sobre religião. Hehe. É sobre essa parada de amizade mesmo, e de como a gente se sente autossuficiente na maioria do tempo e não percebe como nosso comportamento é uma (merrrrrrrrrrrrrrdeixa pra lá) para com pessoas que gostamos/amamos. 

Então, em verdade vos digo que abri os olhos. E venho tentando ver com mais clareza essas paradas chatas que rolam porque sei lá começaram a rolar. Como é difícil escancarar nossos defeitos. Humanos, aff! Depois de questionar se abrimos os olhos, a música seguia num ritmo tranquilo, sincero, como palavra de amigo, que te aconselha mesmo quando  tu tá pisando na bola. É, foi pra ti mesmo que escrevi isso, amigo (a).