sábado, 22 de fevereiro de 2014

Engane-os

O objetivo aqui é simples, fale que está bem e mostre como se diverte, como sua vida é cult, como está sempre rodeado de amigos e como, por incrível que pareça, nada nunca lhe aborrece. Engane-os, todos, porque se você disser que está mal, eles se divertem. É um ciclo maldito, faça poses, não olhe pro chão. Tire fotos dos copos cheios, das garrafas geladas, seu corpo vai estar assim um dia. Aproveite mesmo!
Vão te dar conselhos, vão te dizer que tudo vai ficar bem, só que se você estiver caindo, é você quem precisa puxar a cordinha do para-quedas. Ele não se abre sozinho. Você, sim, fica contando tudo sobre tudo buscando respostas para o que já aprendeu, só não aceitou.
Engane-os, engane a si mesmo. Faça de conta, é pra isso que serve essa vidinha de aparências. Gaste o que não tem por uma noite, brigue com alguém importante ao menos uma vez por mês, desobedeça uma ordem direta. Contrarie a sua lógica e a dos outros. Engane-os, eles não sabem de nada. Ouvir uma história, ver uma história, saber de uma história, nada disso é viver uma história. Engane-os, diga que não está mal e assim eles não ficarão bem.
Desconecte-se, você não entendeu ainda mas foi inserido na Matrix do mundo real, o celular que plugaram no seu cérebro, abandone-o sempre que possível. Desconecte-se! Engane-os, suma. Independente da decisão que tomar ela vai ser criticada, e a sua personalidade se define pela forma como responde a isso. Desconecte-se sempre que possível, porque sua felicidade não é maior quando os outros ficam sabendo, é só uma bobagem que querem que você acredite.
Engane-os, fique em paz. Mas pare, agora mesmo, de enganar a si mesmo.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Quase nunca choro

Chorei. Não tem explicação. Chorei porque pensei no que queria escrever aqui, e umas duas lágrimas escorreram, tímidas. Durou 12 segundos. A sensação passa enquanto as palavras se unem. Chorei porque lembrei um senhor que “conheci” essa semana. Ele é serviços-gerais, eu não sei nada, absolutamente nada sobre ele. Mas todos os dias pela manhã, lhe desejo bom dia e ele responde sempre com um sorriso no rosto, enquanto está varrendo o estacionamento de um estabelecimento. Eu não sei por que essas coisas me fazem chorar.
A minha vida não me faz chorar. Perdi meu pai após dois longos anos de sofrimento e no dia do velório, do enterro, não chorei. Aqueles que nunca conheceram minha dor me chamaram de insensível, sequer sabiam quantas noites passei no hospital depois do trabalho cuidando dele porque não tinha grana para pagar alguém para fazer isso. Quando meu tio Vicente Sartori faleceu - vítima de um maldito câncer descoberto tarde demais - também não derramei sequer uma lágrima. Isso foi acontecer depois porque lembrei do quanto ele foi bacana comigo enquanto viveu, era um desses caras de quem não se fala nada contra.
Não reclamo dessas dores, eu sei que Deus em sua sabedoria me deixa mais cascudo com essas provações. E tem tanta parada mais cruel no mundo que eu penso “dane-se o meu problema”. Tem uma frase do Coringa, num dos filmes da trilogia do Batman, que diz: “o que não te mata te deixa mais estranho”. É uma bela definição.
Tem umas pessoas invisíveis que me fazem chorar também porque fico pensando diversas paradas enquanto assisto à sua rotina. Um exemplo são as varredoras de rua. Essa semana ouvi palavrões porque fiquei observando uma senhora secando o suor do rosto, quando ainda estava aquele calorão, enquanto limpava a rua. Ouvi um reino de um babaca porque estava com o carro parado e o sinal já havia aberto. Todo mundo tem pressa de chegar mais cedo a algum lugar. E nem sabem que no trânsito podem conseguir um atalho para a morte, mas já desisti de conscientizar esses ignorantes.
Talvez eu chore porque gostaria de ajudar essas pessoas a livrarem-se de suas dificuldades, de exploração, de falta de valorização, da dor de perder alguém. Minha preocupação com o mundo ao meu redor é tanta às vezes que chego a esquecer meu coração nos bares da cidade. Sei o que o trabalhador enfrenta todos os dias, e também em relação a isso não posso me queixar. Sempre fui muito bem tratado pelos meus patrões. Aliás, só essa semana, o Pedrão Germano me deu dois abraços de gordo. Um dos abraços eu pedi porque estava voltando de férias, e talvez porque sou puxa saco. Algumas atitudes valem muito, valorizar não é só dar aumento salarial.
E talvez chore por causa da profissão, queria poder abraçar o mundo e contar todas as suas histórias para que alguém se sensibilize e possa ajudar. Isso acontece muito no Sistema Fandango de Comunicação e preciso agradecer, de coração, a cada ouvinte, leitor, que faz doações. Duas cenas me emocionaram muito aqui nos estúdios da rádio, quando o Nilton Silveira falou da alegria de uma menininha que havia sido presenteada com uma boneca no dia do aniversário. Sua mãe havia pedido pela rádio porque não tinha condições de comprar o brinquedo. Outro dia foi quando um rapaz veio de Bruxelas e em cinco minutos de entrevista encontrou a família biológica que não via há quase 30 anos. Chorei, escondido dos colegas, mas chorei. Agora todo mundo sabe que choro, mas não tanto por mim. Não me acho digno das minhas lágrimas com tanto problema ao meu redor.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Meus caminhos

Todos os dias, você segue por um caminho querendo chegar a outro ponto. Todos os dias e parece que você queria usar um atalho por vezes, ou então ficar somente rodando e fotografando cenas que embora angustiem você quer guardar como recordação.
É que o caminho às vezes se torna dolorido, depois que você se perde pelas esquinas da vida. E daí, quer voltar pra casa e não acha mais o caminho pra voltar. Segue caminhando, procurando, descobrindo que às vezes é melhor desistir e parar de se perguntar "por que parei aqui?".
E pouco a pouco, a noite aparece e você não consegue enxergar muito longe, é quando o caminho fica nebuloso e não importa o quanto se esforce em acelerar, não chega a lugar algum. Faz algumas apostas, visita lugares do passado que tragam de volta sensações que havia esquecido, descobre que havia mais felicidade do que angústias, aliás sempre foi sorriso e você não compreendia.
Daí, você para. E percebe que seguir caminho pode não ser o ideal. Para e observa. Você nunca fez isso antes. Percebe pelo retrovisor que está tão escuro que não é mais possível voltar. Permanece parado, pensando no caminho que deseja seguir.
Decide caminhar um pouco mais, afinal de contas é preciso avançar. Há lugares lindos que você sempre admirou e que jamais arriscou pisar por medo de ser mal recebido. E daí você decide, é para lá que vou. E segue a caminhada, um passo depois do outro. Vai demorar, vai provocar cansaço, mas é preciso se perder para se encontrar finalmente.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Uma noite de sexo, ou várias noites de amor?

Ouvi o desabafo de uma amiga outra noite e pensei que talvez isso possa fazer sentido, o fato de que os homens em sua maioria não querem compromisso. Entre um assunto e outro, enquanto tomava uma caipirinha olhando para o horizonte, ela lamentou enquanto acessava as redes sociais no celular. “Olha, Vini, eu cansei. Parece que não existem mais caras querendo uma relação de verdade. Aliás, tu poderias escrever sobre isso, né?!”. Fiquei pensando no assunto e realmente acho que os homens, por uma série de questões que não perdi o tempo para analisar, procuram mais sexo do que amor. Talvez. Mas ela continuou no assunto, para me convencer.
“Se eu saio para uma balada, os homens só sabem ficar reunidos com suas bebidas. Talvez eu comece a me vestir de Black Label para ao menos ser tirada para dançar. E pior, se vou a determinada boate são garotos de fraldas que aparecem perguntando se eu sei como sou bonita. Agradeço, e acabo perguntando se a mãe dele sabe que ele ainda não retornou para casa”, debochou. Talvez a caipirinha tenha alterado os pensamentos dela. Ainda assim, não duvido que a realidade seja exatamente desta forma. Ela já sabe que os caras que se aproximam desejam apenas transar, só uma noite de sexo. Mal eles sabem com um compromisso sério proporciona várias noites de amor.
Talvez esse comportamento seja um sinal dos tempos, o tal desapego – dessas pessoas solteiras e infelizes que ficam espalhando que você não deve valorizar uma relação porque se divertir é melhor. Como se fosse impossível se divertir com uma pessoa do seu lado que te dá carinho, atenção, que está ali quando tu precisas desabafar. Uma pessoa que ajuda a arrumar a cama, e dorme agarrada em ti à noite, sem se importar com o calor. Uma pessoa que briga contigo quando você comete uma falha, e que compreende e até perdoa teus piores defeitos. Que lutou contra os pais para ficar com você, que leva você para sair mesmo quando não está no clima. Uma pessoa que aprendeu a amar até o melhor de ti. E que acima de tudo, deseja apenas a sua felicidade.
E tem quem arrisca tudo por um momento. E não condeno, longe de mim. Às vezes, um momento pode ser mais significante que alguns anos de uma relação que nunca causou arrepios. Questionei se ela tentava dar o passo inicial e até falei que não via nada de errado nisso. Então, ela tomou uma atitude. Levantou e foi até a mesa de uns caras que estavam ali por perto, para onde ela insistia em olhar havia alguns minutos.
Pediu fogo. “Nós não fumamos”, responderam. “Quem disse que eu quero fumar?”. Ninguém falou nada. Ela retornou, passos lentos sobre o salto alto, pegou a bolsa, deixou o dinheiro da caipirinha e foi embora. Depois, um dos caras da mesa veio até mim e perguntou se eu tinha o Facebook dela, ou seu Whats... Acho que no fundo, ela também não queria compromisso mesmo...
O que parece é que ninguém sabe o que quer. Se vocês aceitam um conselho, pensem bem no que vocês desejam para suas vidas. Hoje, parece que só queremos alguém que se arraste e morra de amores pela gente e pelo tempo que a gente quer e quando queremos. E não temos a capacidade de nos entregar e dar algo em troca. O problema de muitos é transformar o amor num produto que deveria satisfazer as suas próprias necessidades. E esquecem que o outro também as possui...

domingo, 19 de janeiro de 2014

Você me ama mesmo? Parte II

Julia voltou para casa aos prantos. No táxi, passando pelas ruas vazias da cidade, o sentimento era de raiva. Foi chegar ao quarto, olhar para o ursinho que ganhou de presente de Cadu, quando fizeram três anos de namoro, para cair no choro. Esperou que tudo o que ele havia dito fosse um delírio, uma brincadeira de mau gosto. Eram três da madrugada, e Julia permaneceu acordada até as 9h esperando por uma ligação. Na internet, não viu em nenhum momento o namorado online. Ou ex-namorado, porque agora não sabia como havia ficado a relação. Pegou o celular pelo menos 12 vezes enquanto o tempo passava. Escreveu uma mensagem, chamando Cadu de cachorro, egoísta, cafajeste e outros adjetivos que caíam bem para a situação.
Mas não enviou nada. Suportou a dor. As lágrimas que insistiam em rolar secaram até que ela adormeceu. Caiu em sono profundo e quando acordou quis acreditar que tudo não havia passado de um sonho. Quando o celular finalmente tocou e ela deu um pulo de esperança, não era ele. Uma amiga convidava para sair, para se divertir porque era domingo e o centro estaria lotado à noite. Ela não queria saber do dia das gurias, não naquele domingo. Durante a relação com Cadu, eles experimentaram se separar naqueles dias. Cada um fazia o que quisesse, com quem quisesse. A ideia havia sido dada pela menina, depois de tantas vezes Cadu a trocar pela cerveja com os amigos.
Ela não se sentiria bem com as amigas enquanto o namorado estivesse noutro lugar. A amiga insistiu, disse que tinha coisas importantes para falar. Não adiantou. Ela teria que retornar à faculdade, certamente viria Cadu e ele a procuraria para conversar. Na segunda-feira, colocou a melhor roupa que encontrou, caprichou na maquiagem, deixou os cabelos cacheados soltos, porque o namorado insistia que assim eram mais lindos. Desceu do ônibus e notou uma aglomeração ao redor de Cadu. Cercado pelos amigos, ela caminhou devagar, esperando que ele a procurasse, a chamasse e dissesse que estava arrependido. Mas nada disso aconteceu. Julia foi ao banheiro. Precisava controlar as lágrimas...
Quando chegou à sala, uma notícia a cortaria o coração. A amiga Andreia contaria o que rolou na boate logo depois que ela havia ido embora naquele sábado. “O Cadu se atracou com outra menina, uma vagabunda. Ficou a noite com ela e depois saíram juntos da boate”. Julia chorou e foi embora. Ligou insistentemente para o namorado. Queria respostas. Ninguém atendeu. Julia insistiu mais dois, três dias. Nada. Na faculdade, não via mais ele, e sua angústia se tornava desesperadora quando ele a bloqueou das redes sociais.
Somente duas semanas depois, quando ela conversava com um amigo no Centro, Cadu ligou. “Ele deve ter ficado com ciúmes, não acredito”, ela pensou.
O jovem então começou a falar. “Amor, eu não te procurei mais porque fiz a maior merda da minha vida. Fiquei com uma guria por puro tesão, você já deve saber. Não me arrependo, não vou mentir. Estava com vontade e rolou. Mas agora, não consigo ficar longe de ti. Não tenho saído mais e não sabia como te procurar, não me perdoei. Sei que você não deve querer saber de mim, mas me dá outra chance”. Julia não respondeu nada. Não era assunto para ser tratado por telefone. Marcaram um encontro. Ela abraçou Cadu. Estava com saudades, não conseguiu reprimir o sentimento. Ainda enxugando as lágrimas, seu olhar ficou obscuro e falou. “Eu só quero saber uma coisa, Cadu. Você me ama mesmo?”.
“É claro que eu te amo, Ju”.
“Pensasse nisso antes”.
E foi embora, engolindo o choro.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

“Você me ama mesmo?”

Essa conversa foi entre um casal de amigos, na faixa dos 20 e poucos anos. Três anos de namoro, planos de casamento e filhos da parte dela, vontade de viajar e se divertir na cabeça dele. Foi num bar que ele me contou essa história.
“Vini, tudo começou quando ela me fez essa pergunta. Pra que ela precisava disso. E eu não quis mentir, estava cansado, com vontade de tomar uma cerveja gelada que nem essa e de olhar, sem culpa, mulheres gostosas como aquelas ali”. O desabafo do meu amigo, enquanto segurava o copo e mirava um grupo de quatro garotas, rindo, com suas bebidas exóticas nas mãos.
“Mas que pergunta foi essa, Cadu?”.
Ele contou que estavam passando a noite em uma boate, e ela o abraçou inesperadamente, olhou no fundo de seus olhos e lançou: “Cadu, você me ama mesmo?”.
Meu amigo baixou o olhar. Maldita hora que ele abaixou o olhar. A namorada percebeu na hora que ele se fez de louco.
“Cadu... Estou falando contigo”, insistia Julia.
Ele ali paralisado, querendo dizer “é claro que te amo meu benzinho, pra que perguntar uma coisa dessas”. Mas não saía, não adiantava. Ele parecia um bobo parado à frente da companheira, tentando encontrar algo que o tirasse daquela situação.
Foi quando passou uma morena. “Não qualquer morena, Vini. Tu tinha que ver aquela mulher. Aquele olhar, minha nossa. E aqueles cabelos compridos. Tu tinha que ter visto, cara”.
Pois Cadu desviou o olhar e sua namorada o beliscou.
“Carlos Eduardo! Você não vai me responder?”
Então, ele olhou para a namorada. Se soltou do abraço dela. Olhou novamente para a morena, que agora estava no bar, pedindo uma caipirinha. “Caipirinha, Vini. Imagina ela brincando com o canudinho da caipirinha”, exaltava-se.
E nesse momento, a morena sorriu para ele. Foi aí que tudo acabou e ele decidiu dar a real para a garota.
“Não!”
“Não? Não o que, Carlos Eduardo?”
“Não, eu não te amo. Eu amava o que eu idealizava. Amava como você se esforçou pra me conquistar lá no início, como me encantava mudando de planos a todo momento. Era bom, era amor mesmo. Hoje não. É só costume. Estou apaixonado por outra mulher”.
Logicamente, Julia não acreditou e quis saber: “Quem é a vagabunda?”
“Não importa. Ela me faz não pensar mais em você. E eu quero viver de novo sem ter de dar satisfações, quero um tempo. Não, não. Quero terminar a relação. Isso, vamos acabar, aqui e agora”.
A garota se enfureceu, virou as costas e se mandou. Cadu correu pela boate, como um louco. Encontrou a morena. Ela sorriu. Ele entendeu. Beijou-a e disse para si mesmo que estava apaixonado. “Não era a cerveja, Vini, não era”.
Fiquei entusiasmado e pedi: “Conta o resto. Levou ela pra cama?”
Ele não terminou a história. Julia telefonou e ele teve de se mandar. Pelo som do celular pude ouvir. “Vem logo pra casa, Carlos Eduardo, ou quer que eu te busque aí?”. Faz dois meses que não vejo Cadu.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Aquela curva


Tem que ter aquela curva, aquele desenho entre a barriga e as pernas. Não pode ser reta, não pode ser uma curva muito acentuada, ou corre-se o risco de acelerar demais. Tem que ser delineada. Aquela curva pra ficar admirando, quando ela dorme, de costas pra gente, como quem convida para um passeio até a eternidade. Aquela curva onde a marquinha do biquini por vezes aparece, onde nossa mão vai repousar, respeitosamente ou não. Tem que ter suavidade, tem que ser macia. Aquela curva é inestimável, inigualável, quase tão perfeita quanto a curva de um sorriso, mas quem se abre para ela é você. E conta promessas que talvez não vá cumprir, só porque viu ela desfilando na sua direção, roupinha branca solta, shortinho jeans curto, aquele umbigo à mostra, delicado. 

A cada passo, um suspiro. Naquela curva, um delírio. Aquela curva faz a personalidade não importar, faz o amor começar ali mesmo, em uma dança, uma troca de olhares, com um romantismo raro para os dias atuais. Aquela curva é a perdição, é seu último desejo, é a morte, é veneno vestido de saia, é uma tempestade, um furacão, vai arrasar a sua vida, vai mexer com sua paixão. E você vai tentar, não vai resistir. Vai cair em tentação. Que seja feita a sua vontade. Entre naquela curva, aprecie com moderação.