A gente deveria aprender muitas coisas com as crianças. Porque se pararmos para pensar o mundo ficou como está porque educamos as crianças de forma errada. A corda esticada parece que vai arrebentar a qualquer momento com a sucessão de preconceitos e discriminações que rolam o tempo todo.
Quer saber. As crianças não ligam para a sua cor, se você é preto ou branco. Nem pra classe social. Elas não estão nem aí se você chegar na casa delas num carrão, a pé ou de bicicleta. Mas elas vão chorar se você as tratar mal. As crianças não tratam outras mal porque elas gostam de funk, não rola essa discriminação estúpida. Elas acham maneiro o barulho que toca e dançam. A maldade está é na sua cabecinha e no que colocaram nela.
Temos mais a aprender do que a ensinar, sem dúvidas. Não fosse a irresponsabilidade por não conhecerem as consequências de seus atos, as crianças seriam muito melhores que os adultos. Elas não falam mal de outras crianças, não se importam se a outra é gorda, baixinha, se engatinha errado. Elas sabem o é o amor é. E não tem nada a ver com essa complicação que você inventou pra justificar suas mancadas. O carinho delas será de quem as tratar bem, simples assim. E há explicação mais objetiva? Crianças não enganam, não roubam, nem acusam ninguém de ter feito o que elas fizeram. As crianças sentem quando alguém não gosta delas e não fingem gostar destes monstros.
O mundo muda todas as crianças. Um relacionamento mal sucedido acaba com as ilusões da garotinha apaixonada, que decide viver o tempo que perdeu. Um golpe bem dado pelo vizinho fere as ilusões do trabalhador que acreditava que era do seu suor que viria a felicidade. O jogo do time do coração faz com que as crianças não lembrem que todos eram amigos e acabem entrando numa onda de violência. Uma piada boba não faz a criança rir, como deveria ser natural, mas sim processar quem a contou. O mundo se torna tão mesquinho que parece maldade colocar uma criança nele...
segunda-feira, 17 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Os sons do salto alto
Estava esperando no gabinete de um ex-prefeito para uma entrevista quando a ouvi chegando. Só ouvi os sons de seu salto alto e percebi seu vulto passando por uma porta entreaberta. Apenas isso e me apaixonei perdidamente. Parecia que ela cantava pisando o chão, que talvez adorasse cada passo que ela dava. Não combinava uma mulher com aquela pisada firme no serviço público, onde muitos costumam fazer corpo mole. Precisava conhecê-la, precisava sentir seu perfume e admirar seu caminhar de perto. Enquanto esperava pelo político, aguardava também que ela retornasse para pedir qualquer informação desnecessária e emplacar uma bobagem que provocasse nela risos.Imaginei-a descontraída ouvindo minhas histórias incríveis do jornalismo, imaginei-a indignada se eu criticasse o trabalho de seu patrão e também sonhei em vê-la admirada pela minha capacidade de debater sobre os problemas da cidade. Ponderei que a cansaria com minha conversa e pediria para que falasse de sua vida, de sua rotina, de seu horário de saída. Enquanto esperava que ela voltasse com os sons de seu salto alto, rabiscava qualquer coisa no bloquinho incapaz de ser compreendida, mas que certamente serviria de inspiração algum dia. Jamais descobri quem era a dona daquele salto alto. Mas guardo na memória ainda o ritmo de seu caminhar. Plact, plact, plact.
Mas essa semana, o mesmo som retorna, ainda mais interessante. É a garota que está entrando no meu quarto, vestindo um salto alto, preto, a lingerie da mesma cor que eu prefiro nem detalhar e uma blusinha branca, gentilmente desabotoada próximo dos seios. É incrível como uma garota fica sensual em cima de um salto. Seus cabelos longos desafiam minha capacidade de discernimento. Seu perfume inunda a bagunça de meu quarto, onde há jornais atirados pelo chão, roupas jogadas sobre o ventilador que espalha um vento capaz de arrepiar qualquer espinha.
Dominadora ela ordena: “Para de trabalhar, está tarde. Agora a pauta sou eu e tu vai escrever essa história depois”. A caneta que eu mordia com a boca enquanto pensava nos afazeres é atirada longe, nunca mais a encontrei. Ela me beija. Não era um beijo, me sufocou. Sobre meu corpo, altiva, me olha de cima de seu salto, apoiado em meu queixo. Ela sorri. Um riso debochado e sensual, sabe que me tem como deseja. Beijo suas pernas, enquanto seguro a ponta do sapato. “Safado, cachorro” e outras coisas impublicáveis são ditas. Pescoço arranhado, beijos demorados, uma cena perfeita, repleta de pecado.
E quando o calor acaba, apenas um som em minha cabeça e uma imagem. O vulto dela saindo pela porta do quarto, completamente nua, poderosa sobre um salto. Me sinto amado, eternamente perdoado, por um dia ter condenado qualquer mulher que não sabe andar de salto alto.
terça-feira, 4 de março de 2014
DE OUTRO TEMPO
Sou de um tempo em que não havia fotos dos momentos mais bacanas, não por ser muito velho, mas não se andava por aí com uma câmera embutida no celular pra postar a foto do que havia feito logo em seguida. Não é que eu tenha algo contra isso, muito pelo contrário. Mas eu vejo aqui e algumas das coisas mais maneiras que fiz na vida eu não tirei fotos. Poderia ter das festas mais doentias, de verões memoráveis, de amizades de adolescência que se perderam no tempo. Não tenho nada de fotos pra lembrar dessas paradas, mas não as esqueci.
De qualquer forma, por isso e outras coisas, concluo que sou estranho. E sei que sou estranho por perceber isso, afinal uma pessoa normal não concluiria. Sou estranho porque não nado com o cardume, não ando no estouro da manada. Às vezes, fico vendo o cardume e tentando ter interesse pelo que fazem, mas me atiro numa diversão que só eu entendo e... Poxa, pra que explicar o que ninguém vai entender. Sou de outro tempo, imagino. De quando não precisava dizer que estava bebendo pra parecer legal. De um tempo que as amizades aconteciam, não se compravam ou se arranjavam.
Sou de outro tempo, de um tempo estranho. Me criei sobre leis que aprendi a contestar quando formei um senso crítico, e revi meus conceitos a tempo de me tornar um imbecil. Hoje, sou apenas estranho, mas de vez em quando sou imbecil. Sou de um tempo em que admitíamos estar errados, e não imitávamos corruptos que sempre escondem suas ações. Sou de um tempo em que sinceridade era reconhecida, mas sem a necessidade de ser aplaudida.
Sou também ignorante porque sei que amanhã ou mais tarde, vou me arrepender do que penso hoje, como hoje me arrependi de um texto do ano passado. Das histórias do passado. Tudo coisa do passado, semana passada, horas passadas. Elas não voltam. Sou de um tempo que ninguém se arrependia por não ter como voltar no tempo, porque sabia que pedir desculpas era possível. Não sempre, mas sinceras. Não inúteis, mas honestas. Sou de outro tempo, e não tenho mais horas disponíveis para ser como antes.
De qualquer forma, por isso e outras coisas, concluo que sou estranho. E sei que sou estranho por perceber isso, afinal uma pessoa normal não concluiria. Sou estranho porque não nado com o cardume, não ando no estouro da manada. Às vezes, fico vendo o cardume e tentando ter interesse pelo que fazem, mas me atiro numa diversão que só eu entendo e... Poxa, pra que explicar o que ninguém vai entender. Sou de outro tempo, imagino. De quando não precisava dizer que estava bebendo pra parecer legal. De um tempo que as amizades aconteciam, não se compravam ou se arranjavam.
Sou de outro tempo, de um tempo estranho. Me criei sobre leis que aprendi a contestar quando formei um senso crítico, e revi meus conceitos a tempo de me tornar um imbecil. Hoje, sou apenas estranho, mas de vez em quando sou imbecil. Sou de um tempo em que admitíamos estar errados, e não imitávamos corruptos que sempre escondem suas ações. Sou de um tempo em que sinceridade era reconhecida, mas sem a necessidade de ser aplaudida.
Sou também ignorante porque sei que amanhã ou mais tarde, vou me arrepender do que penso hoje, como hoje me arrependi de um texto do ano passado. Das histórias do passado. Tudo coisa do passado, semana passada, horas passadas. Elas não voltam. Sou de um tempo que ninguém se arrependia por não ter como voltar no tempo, porque sabia que pedir desculpas era possível. Não sempre, mas sinceras. Não inúteis, mas honestas. Sou de outro tempo, e não tenho mais horas disponíveis para ser como antes.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Engane-os
O objetivo aqui é simples, fale que está bem e mostre como se diverte, como sua vida é cult, como está sempre rodeado de amigos e como, por incrível que pareça, nada nunca lhe aborrece. Engane-os, todos, porque se você disser que está mal, eles se divertem. É um ciclo maldito, faça poses, não olhe pro chão. Tire fotos dos copos cheios, das garrafas geladas, seu corpo vai estar assim um dia. Aproveite mesmo!
Vão te dar conselhos, vão te dizer que tudo vai ficar bem, só que se você estiver caindo, é você quem precisa puxar a cordinha do para-quedas. Ele não se abre sozinho. Você, sim, fica contando tudo sobre tudo buscando respostas para o que já aprendeu, só não aceitou.
Engane-os, engane a si mesmo. Faça de conta, é pra isso que serve essa vidinha de aparências. Gaste o que não tem por uma noite, brigue com alguém importante ao menos uma vez por mês, desobedeça uma ordem direta. Contrarie a sua lógica e a dos outros. Engane-os, eles não sabem de nada. Ouvir uma história, ver uma história, saber de uma história, nada disso é viver uma história. Engane-os, diga que não está mal e assim eles não ficarão bem.
Desconecte-se, você não entendeu ainda mas foi inserido na Matrix do mundo real, o celular que plugaram no seu cérebro, abandone-o sempre que possível. Desconecte-se! Engane-os, suma. Independente da decisão que tomar ela vai ser criticada, e a sua personalidade se define pela forma como responde a isso. Desconecte-se sempre que possível, porque sua felicidade não é maior quando os outros ficam sabendo, é só uma bobagem que querem que você acredite.
Engane-os, fique em paz. Mas pare, agora mesmo, de enganar a si mesmo.
Vão te dar conselhos, vão te dizer que tudo vai ficar bem, só que se você estiver caindo, é você quem precisa puxar a cordinha do para-quedas. Ele não se abre sozinho. Você, sim, fica contando tudo sobre tudo buscando respostas para o que já aprendeu, só não aceitou.
Engane-os, engane a si mesmo. Faça de conta, é pra isso que serve essa vidinha de aparências. Gaste o que não tem por uma noite, brigue com alguém importante ao menos uma vez por mês, desobedeça uma ordem direta. Contrarie a sua lógica e a dos outros. Engane-os, eles não sabem de nada. Ouvir uma história, ver uma história, saber de uma história, nada disso é viver uma história. Engane-os, diga que não está mal e assim eles não ficarão bem.
Desconecte-se, você não entendeu ainda mas foi inserido na Matrix do mundo real, o celular que plugaram no seu cérebro, abandone-o sempre que possível. Desconecte-se! Engane-os, suma. Independente da decisão que tomar ela vai ser criticada, e a sua personalidade se define pela forma como responde a isso. Desconecte-se sempre que possível, porque sua felicidade não é maior quando os outros ficam sabendo, é só uma bobagem que querem que você acredite.
Engane-os, fique em paz. Mas pare, agora mesmo, de enganar a si mesmo.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Quase nunca choro
Chorei. Não tem explicação. Chorei porque pensei no que queria escrever aqui, e umas duas lágrimas escorreram, tímidas. Durou 12 segundos. A sensação passa enquanto as palavras se unem. Chorei porque lembrei um senhor que “conheci” essa semana. Ele é serviços-gerais, eu não sei nada, absolutamente nada sobre ele. Mas todos os dias pela manhã, lhe desejo bom dia e ele responde sempre com um sorriso no rosto, enquanto está varrendo o estacionamento de um estabelecimento. Eu não sei por que essas coisas me fazem chorar.
A minha vida não me faz chorar. Perdi meu pai após dois longos anos de sofrimento e no dia do velório, do enterro, não chorei. Aqueles que nunca conheceram minha dor me chamaram de insensível, sequer sabiam quantas noites passei no hospital depois do trabalho cuidando dele porque não tinha grana para pagar alguém para fazer isso. Quando meu tio Vicente Sartori faleceu - vítima de um maldito câncer descoberto tarde demais - também não derramei sequer uma lágrima. Isso foi acontecer depois porque lembrei do quanto ele foi bacana comigo enquanto viveu, era um desses caras de quem não se fala nada contra.
Não reclamo dessas dores, eu sei que Deus em sua sabedoria me deixa mais cascudo com essas provações. E tem tanta parada mais cruel no mundo que eu penso “dane-se o meu problema”. Tem uma frase do Coringa, num dos filmes da trilogia do Batman, que diz: “o que não te mata te deixa mais estranho”. É uma bela definição.
Tem umas pessoas invisíveis que me fazem chorar também porque fico pensando diversas paradas enquanto assisto à sua rotina. Um exemplo são as varredoras de rua. Essa semana ouvi palavrões porque fiquei observando uma senhora secando o suor do rosto, quando ainda estava aquele calorão, enquanto limpava a rua. Ouvi um reino de um babaca porque estava com o carro parado e o sinal já havia aberto. Todo mundo tem pressa de chegar mais cedo a algum lugar. E nem sabem que no trânsito podem conseguir um atalho para a morte, mas já desisti de conscientizar esses ignorantes.
Talvez eu chore porque gostaria de ajudar essas pessoas a livrarem-se de suas dificuldades, de exploração, de falta de valorização, da dor de perder alguém. Minha preocupação com o mundo ao meu redor é tanta às vezes que chego a esquecer meu coração nos bares da cidade. Sei o que o trabalhador enfrenta todos os dias, e também em relação a isso não posso me queixar. Sempre fui muito bem tratado pelos meus patrões. Aliás, só essa semana, o Pedrão Germano me deu dois abraços de gordo. Um dos abraços eu pedi porque estava voltando de férias, e talvez porque sou puxa saco. Algumas atitudes valem muito, valorizar não é só dar aumento salarial.
E talvez chore por causa da profissão, queria poder abraçar o mundo e contar todas as suas histórias para que alguém se sensibilize e possa ajudar. Isso acontece muito no Sistema Fandango de Comunicação e preciso agradecer, de coração, a cada ouvinte, leitor, que faz doações. Duas cenas me emocionaram muito aqui nos estúdios da rádio, quando o Nilton Silveira falou da alegria de uma menininha que havia sido presenteada com uma boneca no dia do aniversário. Sua mãe havia pedido pela rádio porque não tinha condições de comprar o brinquedo. Outro dia foi quando um rapaz veio de Bruxelas e em cinco minutos de entrevista encontrou a família biológica que não via há quase 30 anos. Chorei, escondido dos colegas, mas chorei. Agora todo mundo sabe que choro, mas não tanto por mim. Não me acho digno das minhas lágrimas com tanto problema ao meu redor.
A minha vida não me faz chorar. Perdi meu pai após dois longos anos de sofrimento e no dia do velório, do enterro, não chorei. Aqueles que nunca conheceram minha dor me chamaram de insensível, sequer sabiam quantas noites passei no hospital depois do trabalho cuidando dele porque não tinha grana para pagar alguém para fazer isso. Quando meu tio Vicente Sartori faleceu - vítima de um maldito câncer descoberto tarde demais - também não derramei sequer uma lágrima. Isso foi acontecer depois porque lembrei do quanto ele foi bacana comigo enquanto viveu, era um desses caras de quem não se fala nada contra.
Não reclamo dessas dores, eu sei que Deus em sua sabedoria me deixa mais cascudo com essas provações. E tem tanta parada mais cruel no mundo que eu penso “dane-se o meu problema”. Tem uma frase do Coringa, num dos filmes da trilogia do Batman, que diz: “o que não te mata te deixa mais estranho”. É uma bela definição.
Tem umas pessoas invisíveis que me fazem chorar também porque fico pensando diversas paradas enquanto assisto à sua rotina. Um exemplo são as varredoras de rua. Essa semana ouvi palavrões porque fiquei observando uma senhora secando o suor do rosto, quando ainda estava aquele calorão, enquanto limpava a rua. Ouvi um reino de um babaca porque estava com o carro parado e o sinal já havia aberto. Todo mundo tem pressa de chegar mais cedo a algum lugar. E nem sabem que no trânsito podem conseguir um atalho para a morte, mas já desisti de conscientizar esses ignorantes.
Talvez eu chore porque gostaria de ajudar essas pessoas a livrarem-se de suas dificuldades, de exploração, de falta de valorização, da dor de perder alguém. Minha preocupação com o mundo ao meu redor é tanta às vezes que chego a esquecer meu coração nos bares da cidade. Sei o que o trabalhador enfrenta todos os dias, e também em relação a isso não posso me queixar. Sempre fui muito bem tratado pelos meus patrões. Aliás, só essa semana, o Pedrão Germano me deu dois abraços de gordo. Um dos abraços eu pedi porque estava voltando de férias, e talvez porque sou puxa saco. Algumas atitudes valem muito, valorizar não é só dar aumento salarial.
E talvez chore por causa da profissão, queria poder abraçar o mundo e contar todas as suas histórias para que alguém se sensibilize e possa ajudar. Isso acontece muito no Sistema Fandango de Comunicação e preciso agradecer, de coração, a cada ouvinte, leitor, que faz doações. Duas cenas me emocionaram muito aqui nos estúdios da rádio, quando o Nilton Silveira falou da alegria de uma menininha que havia sido presenteada com uma boneca no dia do aniversário. Sua mãe havia pedido pela rádio porque não tinha condições de comprar o brinquedo. Outro dia foi quando um rapaz veio de Bruxelas e em cinco minutos de entrevista encontrou a família biológica que não via há quase 30 anos. Chorei, escondido dos colegas, mas chorei. Agora todo mundo sabe que choro, mas não tanto por mim. Não me acho digno das minhas lágrimas com tanto problema ao meu redor.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Meus caminhos
Todos os dias, você segue por um caminho querendo chegar a
outro ponto. Todos os dias e parece que você queria usar um atalho por vezes,
ou então ficar somente rodando e fotografando cenas que embora angustiem você
quer guardar como recordação.
É que o caminho às vezes se torna dolorido, depois que você se perde pelas esquinas da vida. E daí, quer voltar pra casa e não acha mais o caminho pra voltar. Segue caminhando, procurando, descobrindo que às vezes é melhor desistir e parar de se perguntar "por que parei aqui?".
E pouco a pouco, a noite aparece e você não consegue enxergar muito longe, é quando o caminho fica nebuloso e não importa o quanto se esforce em acelerar, não chega a lugar algum. Faz algumas apostas, visita lugares do passado que tragam de volta sensações que havia esquecido, descobre que havia mais felicidade do que angústias, aliás sempre foi sorriso e você não compreendia.
Daí, você para. E percebe que seguir caminho pode não ser o ideal. Para e observa. Você nunca fez isso antes. Percebe pelo retrovisor que está tão escuro que não é mais possível voltar. Permanece parado, pensando no caminho que deseja seguir.
Decide caminhar um pouco mais, afinal de contas é preciso avançar. Há lugares lindos que você sempre admirou e que jamais arriscou pisar por medo de ser mal recebido. E daí você decide, é para lá que vou. E segue a caminhada, um passo depois do outro. Vai demorar, vai provocar cansaço, mas é preciso se perder para se encontrar finalmente.
É que o caminho às vezes se torna dolorido, depois que você se perde pelas esquinas da vida. E daí, quer voltar pra casa e não acha mais o caminho pra voltar. Segue caminhando, procurando, descobrindo que às vezes é melhor desistir e parar de se perguntar "por que parei aqui?".
E pouco a pouco, a noite aparece e você não consegue enxergar muito longe, é quando o caminho fica nebuloso e não importa o quanto se esforce em acelerar, não chega a lugar algum. Faz algumas apostas, visita lugares do passado que tragam de volta sensações que havia esquecido, descobre que havia mais felicidade do que angústias, aliás sempre foi sorriso e você não compreendia.
Daí, você para. E percebe que seguir caminho pode não ser o ideal. Para e observa. Você nunca fez isso antes. Percebe pelo retrovisor que está tão escuro que não é mais possível voltar. Permanece parado, pensando no caminho que deseja seguir.
Decide caminhar um pouco mais, afinal de contas é preciso avançar. Há lugares lindos que você sempre admirou e que jamais arriscou pisar por medo de ser mal recebido. E daí você decide, é para lá que vou. E segue a caminhada, um passo depois do outro. Vai demorar, vai provocar cansaço, mas é preciso se perder para se encontrar finalmente.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Uma noite de sexo, ou várias noites de amor?
Ouvi o desabafo de uma amiga outra noite e pensei que talvez isso possa fazer sentido, o fato de que os homens em sua maioria não querem compromisso. Entre um assunto e outro, enquanto tomava uma caipirinha olhando para o horizonte, ela lamentou enquanto acessava as redes sociais no celular. “Olha, Vini, eu cansei. Parece que não existem mais caras querendo uma relação de verdade. Aliás, tu poderias escrever sobre isso, né?!”. Fiquei pensando no assunto e realmente acho que os homens, por uma série de questões que não perdi o tempo para analisar, procuram mais sexo do que amor. Talvez. Mas ela continuou no assunto, para me convencer.
“Se eu saio para uma balada, os homens só sabem ficar reunidos com suas bebidas. Talvez eu comece a me vestir de Black Label para ao menos ser tirada para dançar. E pior, se vou a determinada boate são garotos de fraldas que aparecem perguntando se eu sei como sou bonita. Agradeço, e acabo perguntando se a mãe dele sabe que ele ainda não retornou para casa”, debochou. Talvez a caipirinha tenha alterado os pensamentos dela. Ainda assim, não duvido que a realidade seja exatamente desta forma. Ela já sabe que os caras que se aproximam desejam apenas transar, só uma noite de sexo. Mal eles sabem com um compromisso sério proporciona várias noites de amor.
Talvez esse comportamento seja um sinal dos tempos, o tal desapego – dessas pessoas solteiras e infelizes que ficam espalhando que você não deve valorizar uma relação porque se divertir é melhor. Como se fosse impossível se divertir com uma pessoa do seu lado que te dá carinho, atenção, que está ali quando tu precisas desabafar. Uma pessoa que ajuda a arrumar a cama, e dorme agarrada em ti à noite, sem se importar com o calor. Uma pessoa que briga contigo quando você comete uma falha, e que compreende e até perdoa teus piores defeitos. Que lutou contra os pais para ficar com você, que leva você para sair mesmo quando não está no clima. Uma pessoa que aprendeu a amar até o melhor de ti. E que acima de tudo, deseja apenas a sua felicidade.
E tem quem arrisca tudo por um momento. E não condeno, longe de mim. Às vezes, um momento pode ser mais significante que alguns anos de uma relação que nunca causou arrepios. Questionei se ela tentava dar o passo inicial e até falei que não via nada de errado nisso. Então, ela tomou uma atitude. Levantou e foi até a mesa de uns caras que estavam ali por perto, para onde ela insistia em olhar havia alguns minutos.
Pediu fogo. “Nós não fumamos”, responderam. “Quem disse que eu quero fumar?”. Ninguém falou nada. Ela retornou, passos lentos sobre o salto alto, pegou a bolsa, deixou o dinheiro da caipirinha e foi embora. Depois, um dos caras da mesa veio até mim e perguntou se eu tinha o Facebook dela, ou seu Whats... Acho que no fundo, ela também não queria compromisso mesmo...
O que parece é que ninguém sabe o que quer. Se vocês aceitam um conselho, pensem bem no que vocês desejam para suas vidas. Hoje, parece que só queremos alguém que se arraste e morra de amores pela gente e pelo tempo que a gente quer e quando queremos. E não temos a capacidade de nos entregar e dar algo em troca. O problema de muitos é transformar o amor num produto que deveria satisfazer as suas próprias necessidades. E esquecem que o outro também as possui...
“Se eu saio para uma balada, os homens só sabem ficar reunidos com suas bebidas. Talvez eu comece a me vestir de Black Label para ao menos ser tirada para dançar. E pior, se vou a determinada boate são garotos de fraldas que aparecem perguntando se eu sei como sou bonita. Agradeço, e acabo perguntando se a mãe dele sabe que ele ainda não retornou para casa”, debochou. Talvez a caipirinha tenha alterado os pensamentos dela. Ainda assim, não duvido que a realidade seja exatamente desta forma. Ela já sabe que os caras que se aproximam desejam apenas transar, só uma noite de sexo. Mal eles sabem com um compromisso sério proporciona várias noites de amor.
Talvez esse comportamento seja um sinal dos tempos, o tal desapego – dessas pessoas solteiras e infelizes que ficam espalhando que você não deve valorizar uma relação porque se divertir é melhor. Como se fosse impossível se divertir com uma pessoa do seu lado que te dá carinho, atenção, que está ali quando tu precisas desabafar. Uma pessoa que ajuda a arrumar a cama, e dorme agarrada em ti à noite, sem se importar com o calor. Uma pessoa que briga contigo quando você comete uma falha, e que compreende e até perdoa teus piores defeitos. Que lutou contra os pais para ficar com você, que leva você para sair mesmo quando não está no clima. Uma pessoa que aprendeu a amar até o melhor de ti. E que acima de tudo, deseja apenas a sua felicidade.
E tem quem arrisca tudo por um momento. E não condeno, longe de mim. Às vezes, um momento pode ser mais significante que alguns anos de uma relação que nunca causou arrepios. Questionei se ela tentava dar o passo inicial e até falei que não via nada de errado nisso. Então, ela tomou uma atitude. Levantou e foi até a mesa de uns caras que estavam ali por perto, para onde ela insistia em olhar havia alguns minutos.
Pediu fogo. “Nós não fumamos”, responderam. “Quem disse que eu quero fumar?”. Ninguém falou nada. Ela retornou, passos lentos sobre o salto alto, pegou a bolsa, deixou o dinheiro da caipirinha e foi embora. Depois, um dos caras da mesa veio até mim e perguntou se eu tinha o Facebook dela, ou seu Whats... Acho que no fundo, ela também não queria compromisso mesmo...
O que parece é que ninguém sabe o que quer. Se vocês aceitam um conselho, pensem bem no que vocês desejam para suas vidas. Hoje, parece que só queremos alguém que se arraste e morra de amores pela gente e pelo tempo que a gente quer e quando queremos. E não temos a capacidade de nos entregar e dar algo em troca. O problema de muitos é transformar o amor num produto que deveria satisfazer as suas próprias necessidades. E esquecem que o outro também as possui...
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